10 agosto 2006

Fim do fisiologismo e Heloísa Helena

Nossa democracia funciona da seguinte maneira: os partidos brigam entre si para ocupar o maior número de cargos no Poder. Esses cargos acabam sendo trocados por apoio político na Câmara e no Senado. Favorecidos pelo apoio prestado os parlamentares agora brigam para incluir no Orçamento obras que no futuro irão garantir votos em suas respectivas bases eleitorais. Tudo muito bem calculado. A opinião pública execra o que citei acima. E com razão. Muitos dizem que o ponta-pé inicial para transformar as coisas para melhor seria acabar com o fisiologismo. Serei didático. O Aurélio descreve fisiologismo como: "atitude ou prática (de político, funcionários públicos, etc.) caracterizada pela busca de ganhos ou vantagens pessoais.

Mas será mesmo que a nossa democracia viverá mais saudavelmente quando menos fisiológica for? É um erro dizer que fisilogismo e corrupção são as mesmas coisas. Uma tem ligação com a outra. a segunda se alimenta da primeira. Seria como dizer que nós somos arroz com feijão. A extinção do fisiologismo traria sim algumas mudanças. Por exemplo, o presidente eleito indicaria todos os cargos , mesmo que seu partido tenha minoria no Parlamento. E aí é que entra Heloísa ela neste artigo. Lembro de uma entrevista dada por ela ao Jornal das Dez da Globo News (não lembro o dia, vi no site do canal). Vi e fiquei espantado. Pelo que entendi Heloísa, num eventual governo seu, não dará bola ao Parlamento. Disse ela aos apresentadores que só precisará do Congresso para aprovar o Orçamento. Mas como é que Heloísa Helena governaria sem a maioria no Congresso? Missão Impossível? Para ela não! Heloísa acredita, piamente, que não precisa de maioria para governar.

O voto de protesto em Heloísa Helena me faz lembrar de Collor. Calma, não se assustem, vou explicar. A desconstrução do governo Sarney fabricou Fernando Collor. Era o voto do novo. E olha que nem cito aqui o fato de os dois serem alagoanos (já citei, fazer o quê!). É preciso ter cuidado. Muito cuidado. Não gosto de prever o futuro, deixo isso para o Nostradamus. Prefiro analisar o passado e elaborar um melhor conceito para o futuro. Aliás, não é essa a idéia principal da ciência História?

7 comentários:

Alexandre, The Great disse...

Patrick.

Acreditar em tudo que diz a senadora em seus discursos é o mesmo que acreditar que a "mãe do Brasil" é a nova versão da "salvadora da pátria".

E aí vamos nós "patinando" de 4 em 4 anos, a passos de caranguejo, rumo ao subdesenvolvimento e ao atraso.

Abçs,

sobel disse...

Pô Patrick vê se decide pra que lado você vai! Uma hora você escreve metendo o pau no Alckmin, depois no Lula, agora na HH! Fala sério de que lado vc está?

Kafé Roceiro disse...

O problema todo é que ela é radical. E nada radical é bom. Já viu que ela só usa camisinha branca bufante e calça jeans surrada?
Isso é ser radical.
Kafé.

Santa disse...

Estava finalizando o post sobre o site www.dominiopublico.gov.br e vc comentava... Tb procurava as razões. Não encontrei. Obrigada pelas palavras carinhosas e mesmo não comentando tenho lido diariamente seu excelente blog. Não posso digitar muito (problemas com a mão, agora usando com dificuldades à esquerda). Volto aqui para comentar, em especial, o de HH.

Bjs

José Justino de Souza Neto disse...

Realmente, o Collor se elegeu com a palavra de ordem "não tenho compromisso com ninguém". Essa expressão é tão falsa que apenas ela já seria um grande motivo para ignorar o sujeito. Assim como não existe apolíticos, também não existe o político que não tem compromisso com alguém, com um partido, com uma classe, etc.
Muitos cidadãos ainda confundem POLÍTICA com POLÍTICA PARTIDÁRIA. Não há como fugir da primeira e tentar desmoralizar a segunda. A HH não consegue esconder sua inclinação para o autoritarismo e sua aversão à fidelidade partidária. Ela procurou a simpatia da classe média, que ainda possui aquele velho ranço udenista, quando usou a expressão "quadrilhas partidárias". Essa sua jóia literária foi usada à exaustão durante as CPIs que nada provaram (porque, se provassem, seria o fim do Caixa 2).
A desmoralização do Congresso, a inclusão sem provas de todos os políticos na mesma vala da corrupção é tudo que os facistas esperam dos cidadãos. A senadora fez côro com a "opinião pública" empresarial nessa tentativa de desmoralização. Todas essas grandes empresas de mídia se locupletaram no período da ditadura militar. A que mais ganhou facilidade$$ foi a Rede Globo, inclusive com a providencial ajuda da Time-Life. Não é por menos que a HH tem recebido tanta atenção da mídia. Há muitos ganhos aí, inclusive esse posicionamento facistóide de ignorar o Congresso. Na presidencia, ela criaria uma situação de crise infinitas vezes maior que a atual porque ela tentaria ignorar ou ser agressiva nas relações com o Congresso.

S0MBR4 disse...

Vamos ser praticos: HH é uma boçal!

;-p

Nick!! disse...

O futuro Presidente, tendo minoria no congresso, seduzirá os fisiológicos com pirulitos.