15 setembro 2006

A conciliação que não vingou


Inúmeros autores apontam a conciliação como parte integrante da genética social e política do Brasil. No século XVII, índios, negros e brancos uniram-se para expulsar o “invasor” holandês das praias nordestinas. No Império, os partidos Liberal e Conservador alternaram-se no poder sem maiores confrontos. Esse traço da alma política nacional pode ser encontrado em episódios bem mais recentes. Em 1985, os partidos aceitaram sepultar o regime militar por meio de um colégio eleitoral que escolheu indiretamente o primeiro presidente civil em duas décadas. Até no processo que culminou com o afastamento de Fernando Collor da Presidência, em 1992, a transição para uma nova ordem foi conduzida em consonância com todas as forças políticas relevantes.

Durante o auge da crise política que envolveu integrantes do governo federal e a cúpula petista, os caciques da oposição liderados pelos tucanos, se uniram não para atacar -como todos esperavam - para evitar um ataque em conjunto e demolidor contra o governo e, em especial, os dirigidos ao coração de Antônio Pallocci, então ministro da Fazenda. Era a tática de deixar o governo sangrar até as eleições, daí a vitória viria com facilidade, sem maiores esforços. A realidade fica evidente que será outra.

Mas a conciliação entre oposição e governo poderia ainda ser enxergado como uma tentativa de minimizar as punições dos culpados, eventualmente investigados, como ventilava o governo, que não queria morrer. Afinal, é bom lembrar que a oposição de hoje foi governo durante oito anos.

A crise pela qual o mundo político se arrastou nestes últimos dois anos terminará com punições pontuais a alguns “bodes expiatórios” de seus cadafalsos político. A conciliação pretendida e efetivada acabou favorecendo uma das partes (o governo), decepcionando outra (a oposição) e envergonhando a última (nós, o povo que os elegeu).

Estréia com muita alegria

Este texto foi publicado no site do jornalista Mhário Liconln (http://www.mhariolincoln.jor.br/) para quem escreverei. O texto abaixo também foi publicado lá.

7 comentários:

Alexandre, The Great disse...

Patrick.
PT e PSDB são gêmeos siameses. Uma cisão cirúrgica pode matar um deles, portanto nenhum pretende a extinção do outro.

O que pretendemos neste 1º de outubro é tão somente apear o molusco-bebum do poder. Ninguém imagina que as coisas mudarão radicalmente com um eventual governo do PSDB, mas pelo menos ter-se-á mais competência administrativa e redução da corrupção.

Ricardo Rayol disse...

Não entendi xongas.

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Patrick:

... e eu não poderia estar mais de acordo.
Isto é o que acontece quando se têm "telhados de vidro".
Passa um bom fim de semana.

Um abraço,

Kafé Roceiro disse...

Vamos ver o que vai dar, né! Primeiro de outubro virou uma incógnita.

Santa disse...

Diante do estado deplorável só me resta fazer, o de imediato: votar contra a permanência do PT no governo. E depois, a luta continua...

Bjs

Ricardo Rayol disse...

Já que você vive me pedindo coisas aí vai: Peço sua ajuda na divulgação de uma palhaçada que está rolando em plagas Rio Grandenses.

Everardo Magalhães disse...

Não quero crer que competência administrativa em um país cuja população é composta - na sua maioria, por pobres -, seja desenvolver uma política social excludente; se constitua de ações que privilegiam grupos que buscam se empoleirar não apenas em Brasília, mas no país inteiro; se consiga dilapidar o patrimônio nacional construído a custa do suor do seu povo (não fui e não sou contra privatização, o que me deixa indignado é a forma como ela aconteceu no Brasil).

Não enxergo menos corrupção no passado, se a não permissão da apuração dos fatos e a divulgação pela imprensa do ocorrido significa honestidade, então, que lutemos pela volta da ditadura militar, pois como naquele período, nos governos pós-ditadura também não se permitia a averiguação de crimes cometidos por apaniguados, tudo era engavetado e aquilo que a sociedade tomava conhecimento, logo era abafado pela própria imprensa.

Não sou, de forma alguma, favorável ao que está acontecendo em nosso país, contudo, hoje o povo está tendo o direito de saber e tomar sua decisão na hora oportuna. Mudar não é retornar ao passado, mas sim, renovar para o futuro.