Quem lê meu blog sabe qual é a minha posição sobre a liberdade de imprensa. Ou a liberdade de imprensa é absoluta, ou não existe. Por uma razão simples: se não houver a absoluta liberdade de cada um publicar (no sentido amplo, que inclui a mídia eletrônica) o que quiser, teremos que definir quem vai autorizar o que pode ou não ser publicado. Como jamais chegaremos a um consenso sobre a quem atribuir esse poder, tal impasse nos levaria à ditadura. Claro que a liberdade de imprensa não implica a irresponsabilidade: cada um responde pelo que publicou, algo aliás muito razoável. Responde na esfera política, na esfera econômica e na esfera judicial.
Muitos pessoas mostram-se incomodadas com a cobertura que a maior parte dos grandes veículos faz sobre a chamada "crise do dossiê" (uma crise real) e sobre um perceptível (e em alguns casos expresso) desejo de levar a eleição para o segundo turno. Qual é o problema nesse desejo? Nenhum. Se você acha insuportável consumir as informações distribuídas por determinado veículo, pare de lê-lo, ou de vê-lo. Ou contenha o seu desgrado. Não sei se Luiz Inácio Lula da Silva leva a eleição no primeiro turno ou se teremos uma segunda rodada entre ele e Geraldo Alckmin. Já estamos tão perto do dia... Vou esperar pelo resultado. Ninguém é obrigado a apostar se não quiser. Nem eu. No meu cassino, você tem o direito de ficar só olhando. Mas uma coisa merece registro.
Se a democracia é o sistema dos freios e contrapesos, é saudável que também a imprensa seja capturada por essa lógica. Mas só quem pode frear democraticamente o poder da imprensa é o povo/eleitor. A força do dispositivo colocado em ação para tentar levar o pleito ao segundo turno e os magros resultados obtidos até agora mostram que o país amadureceu. Pode até haver um segundo turno, claro. Alckmin ainda pode ser o futuro presidente? Evidente que pode. Mas acho que doravante os veículos vão entender que sua força -e mesmo sua sobrevivência- dependerão cada vez mais de quão pluralistas e equilibrados conseguirem ser. É como se o eleitor dissesse algo assim: "interesso-me mais pelo que está acontecendo do que pela sua opinião sobre o que está acontecendo". Faz sentido.
Publicado no site do jornalista Mhário Lincoln
1 hora atrás

12 Comentários:
Patrick Gleber,
Falha nossa!. A Santa não está em Recife. Quem está no blog desde o dia 27 é a estagiária (eu). Nada fácil substituí-la, e não fazer feio. Amanhã ela chegará de uma rápida viagem (trabalho). Parabéns pelo blog, beijos e até o segundo turno...
Santinha:))
Olá Patrick ,
Sobre a liberdade de imprensa , no nosso país ela é totalmente "relativa", pois é livre aquilo q pode ser falado ao ver de alguns poderosos , então infelizmente a palavra liberdade não é no sentindo amplo e sim parcial ...lamentavel !
Quero lhe agradecer pela visitinha ao meu blog, e lhe dizer q gostei muito de seu texto, e da forma q se expressa ...
grande abraço e ótimo final de semana .
Viva Patrick:
Neste período de reflexão, venho aqui desejar-te um óptimo fim de semana.
Que a partir de domingo o Brasil apareça aos olhos do mundo não só como um país cheio de potencialidade mas também como um país fraterno, justo, solidário e socialmente organizado que afaste a corrupção e a insegurança de pessoas e bens.
Um abraço,
camarada, enquanto a Globopar depender do dinheiro do BNDES esquece essa estória de mídia independente e isenta.
Atenção! A liberdade é azul.
http://strangemansparadise.blogspot.com
Divulgue!
Diga aí, meu irmão. Rapaz, gostei do teu blog. Coincidentemente, acordei refletindo sobre esse tema, liberdade de imprensa, p colocar um artigo ou uma enquete no JP. A gente se fala, abs.
Lenildo Ferreira
Por isso é tão difícil se haver liberdade de imprensa em sua totalidade, boa parte da imprensa se atrela ao poder, tornando essa liberdade algo utópico.
Vim aqui através do Portal do Mhario Lincoln. Deixei lá comentário sobre esta matéria.
Agora, vou ler seu blogue.
Um abraço e bom fim de semana ;)
Patrick, boa noite.
Este é um tema controverso, principalmente nesta época em que os interesses econômicos determinam o tom e o conteúdo das matérias jornalísticas.
Porém, como o texto afirma, quem determina o que será publicado é o público.
Se formos coniventes com a manipulação, a imprensa seguirá essa postura, justamente o que assistimos neste país, há séculos, com raras exceções.
Ainda bem que existe a rede.
beijos e boa sorte amanhã.
Torço para que a eleição presidencial não vá para o segundo turno. Pois se for assim o nível da campanha vai baixar, e receio que os tucanos vendam o resto do patrimônio brasileiro.
Sem mais, para todos boa eleição!
Onde começa a liberdade de imprensa eu não sei, mas onde termina é fácil: no contracheque e na ordem do dono do jornal.Chato, não?
Obrigado pelas palavras bacanas no Indignatus. Agora é rumo a vitória e ao Planalto (ah, como eu sonho...)!
abs
HOJE SÓ SEI QUE RUMAREMOS PARA O SEGUNDO TURNO PQ: ESSA LUTA É DE TODO BRASILEIRO QUE SENTE VERGONHA E HUMILHAÇÃO DE SER BRASILEIRO. QUEREMOS UM PRESIDENTE DECENTE, GERALDO NELLES! :-) BJS
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