29 setembro 2006

Onde começa nossa liberdade de imprensa?

Quem lê meu blog sabe qual é a minha posição sobre a liberdade de imprensa. Ou a liberdade de imprensa é absoluta, ou não existe. Por uma razão simples: se não houver a absoluta liberdade de cada um publicar (no sentido amplo, que inclui a mídia eletrônica) o que quiser, teremos que definir quem vai autorizar o que pode ou não ser publicado. Como jamais chegaremos a um consenso sobre a quem atribuir esse poder, tal impasse nos levaria à ditadura. Claro que a liberdade de imprensa não implica a irresponsabilidade: cada um responde pelo que publicou, algo aliás muito razoável. Responde na esfera política, na esfera econômica e na esfera judicial.

Muitos pessoas mostram-se incomodadas com a cobertura que a maior parte dos grandes veículos faz sobre a chamada "crise do dossiê" (uma crise real) e sobre um perceptível (e em alguns casos expresso) desejo de levar a eleição para o segundo turno. Qual é o problema nesse desejo? Nenhum. Se você acha insuportável consumir as informações distribuídas por determinado veículo, pare de lê-lo, ou de vê-lo. Ou contenha o seu desgrado. Não sei se Luiz Inácio Lula da Silva leva a eleição no primeiro turno ou se teremos uma segunda rodada entre ele e Geraldo Alckmin. Já estamos tão perto do dia... Vou esperar pelo resultado. Ninguém é obrigado a apostar se não quiser. Nem eu. No meu cassino, você tem o direito de ficar só olhando. Mas uma coisa merece registro.

Se a democracia é o sistema dos freios e contrapesos, é saudável que também a imprensa seja capturada por essa lógica. Mas só quem pode frear democraticamente o poder da imprensa é o povo/eleitor. A força do dispositivo colocado em ação para tentar levar o pleito ao segundo turno e os magros resultados obtidos até agora mostram que o país amadureceu. Pode até haver um segundo turno, claro. Alckmin ainda pode ser o futuro presidente? Evidente que pode. Mas acho que doravante os veículos vão entender que sua força -e mesmo sua sobrevivência- dependerão cada vez mais de quão pluralistas e equilibrados conseguirem ser. É como se o eleitor dissesse algo assim: "interesso-me mais pelo que está acontecendo do que pela sua opinião sobre o que está acontecendo". Faz sentido.

Publicado no site do jornalista Mhário Lincoln

12 comentários:

Santa disse...

Patrick Gleber,

Falha nossa!. A Santa não está em Recife. Quem está no blog desde o dia 27 é a estagiária (eu). Nada fácil substituí-la, e não fazer feio. Amanhã ela chegará de uma rápida viagem (trabalho). Parabéns pelo blog, beijos e até o segundo turno...

Santinha:))

Valéria disse...

Olá Patrick ,
Sobre a liberdade de imprensa , no nosso país ela é totalmente "relativa", pois é livre aquilo q pode ser falado ao ver de alguns poderosos , então infelizmente a palavra liberdade não é no sentindo amplo e sim parcial ...lamentavel !
Quero lhe agradecer pela visitinha ao meu blog, e lhe dizer q gostei muito de seu texto, e da forma q se expressa ...
grande abraço e ótimo final de semana .

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Patrick:

Neste período de reflexão, venho aqui desejar-te um óptimo fim de semana.
Que a partir de domingo o Brasil apareça aos olhos do mundo não só como um país cheio de potencialidade mas também como um país fraterno, justo, solidário e socialmente organizado que afaste a corrupção e a insegurança de pessoas e bens.

Um abraço,

Ricardo Rayol disse...

camarada, enquanto a Globopar depender do dinheiro do BNDES esquece essa estória de mídia independente e isenta.

Zappi disse...

Atenção! A liberdade é azul.

http://strangemansparadise.blogspot.com

Divulgue!

Jornalismo Paraibano disse...

Diga aí, meu irmão. Rapaz, gostei do teu blog. Coincidentemente, acordei refletindo sobre esse tema, liberdade de imprensa, p colocar um artigo ou uma enquete no JP. A gente se fala, abs.

Lenildo Ferreira

Gilberto Silva disse...

Por isso é tão difícil se haver liberdade de imprensa em sua totalidade, boa parte da imprensa se atrela ao poder, tornando essa liberdade algo utópico.

Menina_marota disse...

Vim aqui através do Portal do Mhario Lincoln. Deixei lá comentário sobre esta matéria.
Agora, vou ler seu blogue.
Um abraço e bom fim de semana ;)

Saramar disse...

Patrick, boa noite.
Este é um tema controverso, principalmente nesta época em que os interesses econômicos determinam o tom e o conteúdo das matérias jornalísticas.
Porém, como o texto afirma, quem determina o que será publicado é o público.
Se formos coniventes com a manipulação, a imprensa seguirá essa postura, justamente o que assistimos neste país, há séculos, com raras exceções.
Ainda bem que existe a rede.

beijos e boa sorte amanhã.

Romeryto disse...

Torço para que a eleição presidencial não vá para o segundo turno. Pois se for assim o nível da campanha vai baixar, e receio que os tucanos vendam o resto do patrimônio brasileiro.

Sem mais, para todos boa eleição!

Walter Carrilho disse...

Onde começa a liberdade de imprensa eu não sei, mas onde termina é fácil: no contracheque e na ordem do dono do jornal.Chato, não?

Obrigado pelas palavras bacanas no Indignatus. Agora é rumo a vitória e ao Planalto (ah, como eu sonho...)!
abs

vera disse...

HOJE SÓ SEI QUE RUMAREMOS PARA O SEGUNDO TURNO PQ: ESSA LUTA É DE TODO BRASILEIRO QUE SENTE VERGONHA E HUMILHAÇÃO DE SER BRASILEIRO. QUEREMOS UM PRESIDENTE DECENTE, GERALDO NELLES! :-) BJS