04 setembro 2006

Problemas numéricos para Alckmin


Alckmin parece ter desistido de tentar tirar votos de Lula no Nordeste. A sua nova meta, nessa luta incessante em busca do segundo turno, concentra esforços no maior reduto eleitoral do país, o estado de São Paulo. Essa notícia foi levantada pelo jornal Valor Econômico de hoje (leia a reportagem). E nada mais sensato. O discurso de "menos gastos, menos impostos" cai como uma luva para a classe média paulista e, evidentemente, Alckmin tem uma avaliação muito boa de seu governo pelos paulistas.

Mas os números são duríssimos para o ex-governador. Vamos destrinchá-los. São Paulo tem 22,3% do eleitorado. Se, por exemplo, Lula tiver apenas 40% dos votos válidos no estado, esse déficit de 20 pontos em relação aos demais concorrentes representará nacionalmente um déficit de quase 4,5 pontos percentuais. Uns 4,5 milhões dos cerca de 100 milhões de votos válidos que deverá haver no primeiro turno. Segundo a última consulta popular, felita pelo Ibope (veja a pesquisa), Lula teria 75% dos votos válidos no Nordeste, um superávit de 50 pontos sobre os concorrentes somados. O Nordeste tem 27,1% dos eleitores brasileiros, o que dá a Lula cerca 13,5 milhões de votos de vantagem na região. Essa é a raiz da diferença numérica mínima, desde o começo do ano, entre o petista e eventuais concorrentes de segundo turno, um colchão de cerca de 10 milhões de votos que os tucanos nunca conseguiram reduzir. No Norte/Centro-Oeste (14% do eleitorado) e no Sudeste (43,7% do eleitorado) há empate entre Lula e adversários, enquanto a frente anti-Lula dá de 58% a 42% no Sul. Tudo de acordo com a última pesquisa do Ibope.

O mundo gira e o problema dos tucanos e pefelistas está parado no mesmo lugar: a incapacidade, até o momento, de fazer o seu candidato ter um desempenho ao menos razoável no Nordeste. Desde a redemocratização nenhum dos presidentes eleitos conseguiu vencer a eleição perdendo no Nordeste ou em São Paulo. A celeuma continua. Alckmin não cosegue tirar votos de Lula no Nordeste, mas em contrapartida, Lula consegue rachar os votos de Alckmin em São Paulo.

2 comentários:

Vera disse...

Então... Você acredita em pesquisas? Eu não, rsrs :-) Bjs

Alexandre, The Great disse...

Patrick.

Seu raciocínio está correto, contudo é pautado numa premissa falsa: as "pesquisas eleitorais".

O seu artigo seria factível, se a premissa fosse verdadeira, o que não é. Os institutos de pesquisa foram aparelhados e seus resultados são produzidos para "justificar" a grande fraude das urnas eletrônicas que estão por vir.
Várias outras pesquisas, realizadas por entidades autônomas e blogs, dão resultados completamente diferentes desses dos "institutos oficiais de pesquisa". Vc mesmo pode tentar uma amostragem: consulte 100 pessoas dos diversos segmentos que frequenta, entabule e tenha a sua resposta.