04 outubro 2006

Agrega ou desagrega votos?

Há uma polêmica em torno da adesão do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho a campanha de Geraldo Alckmin à presidência da República. E é preciso analisarmos bem o que existe por trás, e pela frente, desta adesão. Alckmin perdeu feio de Lula no Rio e, evidentemente, luta para recuperar terreno. Seu cálculo político parece claro. Quem já votou em Alckmin no primeiro turno dificilmente votará em Lula no segundo. E o tucano precisa, desesperadamente, entrar no eleitorado cativo de Lula. Ainda com a máquina do governo estadual na mão e com prestígio junto aos mais pobres e aos evangélicos, Garotinho é útil a Alckmin. A contrapartida que Garotinho espera é que Alckmin, em um eventual governo, dê a oporutunidade de ele voltar ao cenário nacional - depois de ser moído, mastigado e digerido pelo PMDB (com a ajuda do governo federal), quando lutava para ser o candidato do partido à Presidência. O quanto esse apoio vai render? Ninguém sabe, mas aritmeticamente parece razoável supor que agrega mais do que faz perder. A não ser que Lula consiga atrair o grupo do prefeito Cesar Maia, o que parece improvável. Sim, há também a indignação sincera e o farisaísmo. Sobre esse último, deixo-o aos que embalam os seus projetos políticos no bonito papel de presente da ética, para assim vendê-los melhor. Conheço gente que abre presentes com o maior cuidado, para não estragar o papel. Eu nunca fui assim. Vou logo rasgando o papel para saber o que tem dentro. No cenário eleitoral, está claro que Lula encontrou pela frente um osso duro de roer. Alguém com a frieza necessaria para fazer agora o que havia criticado antes. Sem tal, digamos, qualidade, ninguém chega nem a prefeito. Muito menos a presidente da República.

4 comentários:

Nat disse...

É o pragmatismo, PAtrick. Muito original e pertinente sua abordagem. Eu, no meu bloguinho, comenteni de forma mais visceral sobre o assunto (risos).

Bjs

Anônimo disse...

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Spirit disse...

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Neto disse...

Olá Patrick (estou de volta!)
É verdade que Alckmin está surfando na rejeição do presidente Lula por uma parte significativa da população. E eu acho que é mais esse fato do que mérito do próprio candidato. Como todo bom político ele apenas está aproveitando as "brechas", óbvio!

A disputa, porém, vai mesmo ser quente no segundo turno. E minha preocupação é em cima do TSE. Em se meter nesse caldeirão (afinal o Presidente do TSE já andou dando declarações sobre o Lula, comparando o governo dele a um watergate)...

É esperar para ver...
Abraços! (veja lá no meu blog)