02 outubro 2006

Depois do tombo... fala Lula!


"Não venci porque não venci. Faltou voto. Não tem eleição ganha. Vai demorar um pouco mais a vitória, mas ela virá". Essas são palavras de um entusiasmado Lula em entrevista coletiva agora a pouco no Palácio da Alvorada. Aos meus estimados leitores, transcrevo alguns trechos que achei importante.

Agência Reuters - O senhor se arrepende de não ter ido ao debate? Quais as alianças políticas que perseguirá?

Se eu tivesse uma bola de cristal para saber o que me daria mais ou menos votos eu faria o que teria me dado mais votos. Agora, não. O debate será mais ágil. Será um candidato contra outro. Será mais esclarecedor. Não tenho pesquisa para mostrar se eu deveria ter ido ou não ao debate. Agora, os aliados estão mais previsíveis. Serão dois candidatos aos governos estaduais. Um escolherá um, outro escolherá outro. Vamos definir nossas alianças políticas. Em Pernambuco, vou apoiar Eduardo Campos e sei que ele irá me apoiar. A coordenação política entrará em contacto com essas pessoas e saberei depois. Eu soube que ela (Heloísa Helena) liberou seus eleitores para votarem em quem quiser. É uma sóbria decisão. Isso já aconteceu com o PT. Mas os eleitores já estão tomando posição.

Folha de S. Paulo - O senhor compartilha com a visão de que o dossiê e a exploração das fotos contribuiram para o segundo turno?

Havia uma pressão da sociedade para que houvesse segundo turno. Se é uma coisa que gostamos de fazer, Alencar e eu é fazer campanha. Avaliar o que nos levou para o segundo turno... Ainda não sei. Vamos disputar o segundo turno com a mesma força que disputamos o primeiro.

(...) Todo político se queixa da imprensa. O dado concreto é que ela tem um papel muito importante na consolidação da democracia. Tudo tem de ser mostrado. Tinha a fotografia (do dinheiro) e ela tinha de ser mostrada a qualquer hora. Tem um mistério nesse dossiê... Quero saber quem arquitetou essa engenharia (a montagem e compra do dossiê pelo PT) para nos tirar o pé... Se fosse nos Estados Unidos alguém estaria fazendo um filme a respeito.

Jornal do Commercio - O que se diz é que o senhor vai se vestir como candidato dos pobres e tentar vestir Alckmin como o candidato dos ricos?

Se fosse assim eu já teria sido eleito. Governei para pobres e ricos. Se alguém quer dividir os candidatos... A luta me fez chegar à presidência da República. A sociedade brasileira, a cultura brasileira não permitem essa divisão...

(...) Quando os dados mostram que tiramos pouco mais de 19% dos brasileiros da pobreza, todos ganham - eles, os pobres, e os ricos. É um processo de produção de riqueza contínuo. Vou continuar privilegiando os mais necessitados. Por isso que tenho política de desenvolvimento para o Nordeste que durante muito tempo ficou esquecido.

TV Globo - O senhor disse que o caso do dossiê foi um tiro no pé. O senhor culpa o PT?

Eu não posso culpar o PT que é muito grande. Quando você negocia com bandidos está sendo tão bandido quanto eles. Eu peço a Deus que tudo seja esclarecido. A Polícia Federal tem autoridade para fazer as investigações sérias.

(...) Se eu me licenciar do cargo, Alencar terá de assumir. E ele será muito importante em Minas Gerais. Vamos continuar governando. Você nao precisará mais fazer tanto esforço físico no segundo turno. O tempo de televisão será igual. Dá para governar e fazer campanha.


Agora falo eu. Como deu pra perceber o segundo turno abriu os olhos de Lula. Em menos de 24 horas da confirmação de um segundo turno Lula saiu para o combate. A disputa promete!

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