02 outubro 2006

Em defesa dos institutos de pesquisa

Tenho lido em alguns blog's por aí críticas severas em relação aos institutos de pesquisa. Mas eu vou em sua defesa. Minha opinião: os institutos foram bem nesta eleição. Pesquisas devem ser vistas menos pelos números instantâneos e mais pelas tendências. Todos os institutos que fizeram pesquisa nos dias anteriores à eleição mostraram o estreitamento entre Lula e Alckmin. Datafolha e Ibope cravaram empate técnico entre Lula e adversários na véspera da votação. E o resultado final do primeiro turno foi muito próximo (em votos válidos) ao que ambos haviam diagnosticado na reta final. Uma coisa importante: os institutos não perguntam aos pesquisados se eles vão ou não votar no dia da eleição. Portanto, todos os índices obtidos nas pesquisas anteriores à boca-de-urna devem ser interpretados sobre o total do eleitorado.

De uns tempos para cá, os institutos fazem, digamos assim, uma gambiarra para tentar se defender dos ataques políticos: nos últimos dias antes da eleição, passam a divulgar principalmente os índices de votos válidos. Fazem isso na suposição de que a abstenção será mais ou menos a mesma no eleitorado dos diversos candidatos e que, no fim, essa malandragem estatística passará despercebida. Mas isso quase sempre tem dado errado, exatamente porque a distribuição da abstenção não tem sido uniforme.

Fala-se ainda muito sobre o debate da Rede Globo, sobre a crise do dossiê, mas eu prefiro prestar atenção em outro detalhe: a relação entre absenteísmo eleitoral (ausências, brancos, nulos) e menor instrução e renda. Essa quebra na votação sofrida agora por Lula aconteceu também com Fernando Henrique Cardoso em 1998. Mas é um debate em aberto.
Importantíssimo para o segundo turno. Lula vencerá a eleição se mobilizar o seu eleitorado, se levantá-lo em defesa do governo. Se usar toda a sua força para levar às urnas a parcela da população que mais teria a perder com uma eventual mudança de guarda no Palácio do Planalto. Lula perderá se não o fizer. A dúvida é saber se Lula e o PT ainda têm energia e forças para travar essa sangrenta batalha pela “troca” da agenda eleitoral. Diante da passividade com que vêm apanhando e se deixando conduzir ao matadouro pelo adversário no último ano e meio, trata-se de uma dúvida bastante razoável.

5 comentários:

Nat disse...

Patrick, concordo que pesquisas são boas ferramentas de tendência. Talvez o erro seja usá-las como referência de verdades absolutas, como faz a mídia em geral.

Valéria disse...

Eu acho q na maioria as pesquisas sao boas e verdadeiras ... mas eu nunca as uso como bussola !
Agora vms esperar o segundo turno , e ver se teremos quatro anos ainda com Petrobras , Banco do Brasil sendo Brasileiras ou em quatro anos nao as teremos mais ...mas é extremamente complicado, denuncias mil, em meio a um grande jogo politico .
O jeito é aguardar !
grande beijo Patrick .

Serjão disse...

Mais ou menos, patrick. No RS eles não viram a cor da bola. No Senado no RJ eles erraram por 6 pontos precentuais numa eleição direta. Mas não acho que seja má fé. Foi erro mesmo;

Everardo Magalhães disse...

Tive a oportunidade de desenvolver um trabalho que requereu, previamente, dados com base em pesquisa. Hoje, posso afirmar que funciona, desde que a metodologia aplicada seja apropriada e a honestidade profissional se sobreponha a interesses escusos. Quanto ao processo eleitoral, em função da incoerência do eleitor brasileiro, pode haver influência na definição do eleitorado, principalmente daqueles que ficam indecisos até a véspera.

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Patrick:

O Alckmin vai ganhar estas eleições na 2.ª volta. É o meu palpite.
O debate televisivo, se ele for verdadeiramenre competente, ditará a derrota do Lula.

Um abraço,