13 outubro 2006

Oito ou oitenta

Voltaram os programas de tevê dos candidatos a presidente. Vamos por partes. Começando pelo debate da Bandeirantes. Geraldo Alckmin agiu como foi sugerido por um amigo a Lyndon Johnson, quando o então presidente americano perguntou como proceder diante do crescente envolvimento na Guerra do Vietnã: - declare vitória e caia fora, aconselhou o amigo. Sabe-se que Johnson não seguiu o conselho, mas o tucano fez mais ou menos isso no dia 12, (re) início da propaganda eleitoral, em relação ao debate de domingo. Mostrou algumas perguntas duras dirigidas a Lula, exibiu títulos de matérias de jornal que apontaram Alckmin como vencedor, recorreu a um "povo fala" rápido e mudou de assunto. Já o programa de Lula foi quase todo dedicado ao debate. Declarou vitória e ficou dentro. Procurou enfatizar que o presidente respondeu a todas as perguntas. Usou as respostas presidenciais para defender que Lula está mais preparado para o cargo.

Nos dois casos, do PT e do PSDB, tudo a ver com as qualis. Os relatórios das pesquisas qualitativas sobre o debate da Band indicaram o que o eleitor de Lula esperava do presidente: respostas. E que esse eleitor considerou tê-las recebido. Daí ter ficado satisfeito. Já Alckmin, além de ter transmitido uma imagem de certa arrogância, ficou devendo propostas. Uma resposta típica foi "ele não disse o que vai fazer, faltou conteúdo". Provavelmente por isso, o tucano jogou tudo hoje na imagem de administrador eficiente e na promessa de um futuro com muito crescimento, empregos, etc.

Os escândalos ficaram meio de lado, como uma parte do passado que é preciso superar. O programa de Lula foi básico, quase um clipping de trechos do debate. O de Alckmin foi tecnicamente mais sofisticado, mas uma coisa me incomodou: não dá para passar de oito a oitenta assim, a seco. Ou de oitenta a oito. Alckmin vinha numa escalada de ataques e acusações, que culminou no debate. Agora, aparece de novo com o jeito que tinha lá atrás. Pode até funcionar, mas também pode causar desconforto, desconfiança. E vamos ver o programa da noite para saber se a linha dura da coligação PSDB-PFL foi mesmo para o ostracismo, ou se é só impressão.

Este texto também será publicado no site do jornalista Mhário Lincoln. Para visitá-lo clique no banner à direita.

16 comentários:

Alexandre, The Great disse...

Ok, Patrick.
Visitei e li seu post.
Um abraço,

carlossanzio disse...

Amigo jornalista,

Vi um link para seu blog no site do jornalista Antonio Mello e resolvi visitar. Devo confessar que não sou um amante da política, ainda mais sendo brasileira, mas gostei dos seus textos. Tenho visitados outros blogs e a imagem que me ficou foi que nenhum tinha como foco a busca da imparcialidade, ainda que não completa. Mas seu blog é diferente. Textos bem elaborados e coerentes. E o melhor de tudo: sem defender A ou B.

Parabéns continue assim de seu leitor, agora fiel!

Carlos Sanzio
New York

leia_o_globo disse...

Putz! Sinceramente...

Gostei

rafael_canela disse...

Olha Patrick, visito seu blog a muito tempo, mas devo confessar, o tempo tá fazendo ele cada vez melhor. Gosto de seus textos, ele fazem refletir. Gosto também quando você mescla fatos atuais com os ocorridos no passada, essa integração faz bem a mente. Lembro que não é sempre que posso comentar, mas estou diariamente por aqui.

lula_13 disse...

A pior de todas do Alckmin foio qunado disse q tinha propostas para a saude


kkkkkkkkkkkkkkkk

morri de rir

Santa disse...

Patrick, obrigada pela visita lá no Blog. Quanto ao post, minha leitura é outra.

Bjs

Valeria disse...

Olá Patrick ,
Enfim dia 29 esta chegando e ai veremos , nao o rumo q irá tomar nosso pais , pq milagres ninguem fará, mas veremos pelo menos qual o inicio desse rumo !
e q seja o melhor a todos brasileiros ...
grande abraço

Jéssica disse...

Sei não, quem sabe o povo surpreende... vamos torcer, embora eu não goste de nenhum dos dois, muito menos dos partidos. Bom fim de semana, beijo*.*

Everardo Magalhães disse...

Muito bem escrito seu comentário, vamos refletir. Agora, o que estamos aguardando, realmente, tanto nos programas diários quanto nos futuros debates e entrevistas, é que os participantes sejam mais inteligentes e apresentem propostas. Não promessas fantasiosas, mas que sejam factíveis e atendam as necessidades da sociedade brasileira. Já estamos cansados de agressões verbais entre os candidatos, não suportamos mais a falta de respeito para com o telespectador/eleitor. A mim, ninguém engana, pois na maioria das vezes não passa de encenações (fora de cena, provavelmente, os "gladiadores" encenem outra peça). É interessante atentarmos para os mínimos detalhes, os gestos, a postura, a entonação da voz, enfim, tudo que se possa perceber um certo fundo de verdade naquilo que está sendo apresentado.

Neto disse...

Parabéns pela coerencia mais uma vez Patrick!

A minha impressão sobre o candidato Alckmin, é que ele fugiu de sua linha comum no debate tentando se aproveitar do momento em que passava o PT. Uma atitude válida para quem quer ser presidente e conhece o jogo do poder... Mas é visto que a tática não deu certo, e ele agora volta para o seu lugar-comum.
Ao meu ver, porem, é entendido que nada que faça o PSDB para conseguir o que quer modificará a tradição de "pavão" que eles ostentam.
Na mão deles, o povo só se explode!

Abraços

Valter Abrucez disse...

Patrick:
O pessoal do Alckmin tinha um desafio pela frente neste segundo turno. Este desafio era produzir um programa diferente do que apresentou no primeiro, mais focado em pontos essenciais, como ser mais específico, mais corajoso, mais propositivo sobre o Bolsa Família, por exemplo. Apenas assegurar que vai manter e "ampliar" é pouco. Por que o eleitor-bolsista se convenceria de muar seu voto de Lula para Geraldo? Se Geraldo vai deixar do mesmo jeito, o eleitor continua com o Lula.
Quando digo considerar necessário um programa de TV diferente, penso que só assim, inovando e não repetindo tudo que tudo mundo já ouviu e viu antes, o Alckmin teria alguma possibilidade de penetrar no eleitorado do Lula. E porque morder o eleitorado de Lula? Por que aí o efeito é duplo. Cada um que se muda de lado se multiplica em dois.
Mas, os marqueteiros resolveram requentar a temática e o discurso da campanha do primeiro turno. Acho que não vai dar certo.

Nat disse...

Patrick,

Apenas uma dúvida: que raio de respostas o eleitor de Lula recebeu no debate?

Abs

Hayle Gadelha disse...

Gostei de conhecer o seu Blog. Estou chegando agora do meio do mato e depois vou ler com mais calma.
Hayle Gadelha

Kafé Roceiro disse...

Amigão,
Muito bom o texto. abraço do Kafé.

Gazeta dos Blogueiros disse...

Parabéns!
Seu blog acaba de receber o Oscar dos blogueiros, Destaque 2006 na Gazeta dos Blogueiros.
Como prêmio o link do seu blog ficará exposto por 7 dias na pagina principal da GB.
Parabéns mais uma vez pelo Troféu Destaque 2006.
Equipe GB .
www.blogueiros.com

Valeria disse...

Olá, parabens pelo merecido destaque, seu trabalho aqui é primoroso ... grande abraço .