24 outubro 2006

A regra vale para os dois lados

Escrevo hoje diretamente de terras cearenses. Estou passando uns dias na casa de minha namorada, mas nem por isso deixo de cumprir minhas obrigações com o blog. Queria escrever sobre o debate de ontem promovido pela Rede Record, mas não quero ser repetitivo, tenho pouco a acrescentar em relação aos dois anteriores, mais uma vez deixo a cargo das pesquisas de opinião o fardo de eleger quem foi o melhor. Aliás minha namorada ao acordar perguntou como tinha sido, respondi: a mesma coisa dos outros. Por isso escrevo não sobre o debate mas sobre as investigações em período pré-eleitoral. Uma possível (e muito provável) vitória de Lula no próximo domingo não colocará uma pedra em cima das investigações criminais envolvendo o PT e sua campanha para permanecer no Palácio do Planalto. Não existi cronograma de tempo, por parte do Tribunal Superior Eleitoal, para que Ministério Público e Polícia Federal concluam as investigações. Polícia foi feita para investigar, promotoria feita para acusar e juiz é para julgar. Às urnas fica a imcumbência de eleger, e nada mais.

Na teoria as coisas são (ou deveriam ser) simples assim. O país tem o direito de conhecer todos os detalhes da operação dossiê. Ou de qualquer outra acusação ou dúvida que envolva este governo. Ou governos anteriores. Essa é a regra do jogo da democracia. Mas, se a regra está em vigor, ela vale para os dois lados. Para as duas faces da moeda. Se o julgamento político das urnas não tem o poder de absolver acusados de crimes, tampouco o julgamento político da opinião pública deveria ter o poder de condená-los. Se a maioria eventual nas urnas não apaga a folha corrida de ninguém, tampouco a maioria eventual no tribunal político de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (ou de um plenário, ou de um editorial de jornal) deveria ter o poder de condenar alguém em última instância. Aí parece residir a inconsistência de certas teses. Citações em relatórios de CPIs são tratadas como condenações políticas transitadas em julgado pelos mesmos que recusam ao eleitor a prerrogativa de "anistiar" alguém na base do voto. É o princípio orwelliano de que todos são iguais mas alguns são mais iguais do que os outros. O linchamento político é legítimo, dizem, se a maioria assim o desejar; mas não aceitam a legitimidade da purificação quando a maioria assim se manifesta. Cassar o mandato de alguém sem provas é razoável, dizem, para efeito de profilaxia política; mas os que se arrogam o direito quase divino de suprimir, sem provas, a vontade do eleitor (expressa num mandato popular) não dão ao eleitor o direito que pedem para si. Quer saber das convicções democráticas de alguém? Tente aferir o quanto ele respeita os direitos de quem está na outra trincheira.

5 comentários:

Anônimo disse...

Patrick, eleição não é julgamento. O povo não aprova ou desaprova determinada conduta, desde a Roma antiga que o povo vota quem lhe dê algum pão e muito circo, qualquer artista global que seja canditado leva, e no primeiro turno.

Jorge Sobesta disse...

Patrick,

O que me mata de ódio é a cara de safado do Lula toda vez que ele diz que os "cumpanheiro" serão punidos. E ainda tem a cara de insinuar que vão para a cadeia.

Um abraço.

David disse...

Eles irão jorge: para uma cadeia de rádio e televisão, onde será mostrada a posse desses ordinários como ministros, deputados, senadores,.....

Anônimo disse...

aS COISAS ESTÃO FICANDO CLARAS
a mídia toda relatou que Abel Pereira, empresário de Piracicaba (SP) e amigo de 30 anos do tucano Barjas Negri(PSDB), caiu em contradição no depoimento que prestou no início da semana na Polícia Federal de Cuiabá. Uma delas foi negar que os dois são amigos – ninguém acreditou. Só que a maioria da mídia faz de conta que não aconteceu nada e ignora o caso.

Só o Estadão diz hoje que Abel agilizou a liberação de R$ 4 milhões para 50 cidades que compraram ambulâncias superfaturadas. Em outro trecho, a matéria diz que Luiz Antônio Vedoin afirmou na Justiça que "o contato de Abel no ministério era o próprio ministro, Barjas Negri".

Ainda segundo a matéria, Vedoin disse que "Abel exigia entre 3% e 6,5% de comissão por negócio realizado. Abel também cobraria 10% sobre novos empenhos que o ministério programava". Já Darci Vedoin, pai de Luiz Antônio, completou a declaração dizendo que a comissão foi paga "em depósitos e cheques" e que "os depósitos eram feitos em nome de terceiros por indicação de Abel".

É por isso, talvez, que Abel Pereira tenha tido que não recebeu nada dos Vedoin – pode ser verdade se o dinheiro foi para laranjas, mas não quer dizer que não tenham repassado a ele de volta. Um dos que receberam dinheiro é Valdizete Martins Nogueira, ex-prefeito de Jaciara (MT) que aparece numa foto com Abel Pereira e Barjas Negri, no Ministério da Saúde. Ele já admitiu isso em uma entrevista à Folha, como comentei aqui.

Isso tudo deveria ser investigado. Mas, como se vê, os torquemadas da CPI dos sanguessugas estão mais preocupados em tentar incriminar o governo e o PT. O Jornal do Brasil diz hoje que "CPI pede cópia dos depoimentos à polícia", mas Raul Jungmann e Carlos Sampaio só querem saber do caso do dossiê, nada de Abel Pereira. Blindagem é isso aí,RECUSO E nÃO aCREDITO QUE VC ESTA APOSTANDO NO 3 TURNO ! ESTA APOSTANDO EM GUERRA CIVIL?

Ricardo Rayol disse...

Não tem nada pra se comentar do debate... e vida boa essa se encostando na casa da namorada.