28 novembro 2006

Cheques deixam a eleição em xeque


Não gosto de trocadilhos, mas neste caso ele é oportuno. As duas principais revistas de notícias semanais do país, Veja e Isto É, trazem matérias importantes sobre a atuação de alguns dos representantes do estado da Paraíba no cenário político atual. Depois de ter o nome de metade de seus representantes na Câmara envolvidos no esquema dos sanguessugas, agora a bola da vez é outra. A revista Veja traz matéria sobre o senador pefelista paraibanos Efraim Moraes, mas sobre esta reportagem tratarei em um próximo post, por enquanto vou me ater a reportagem da Isto É. A revista trouxe à baila a investigação feita pelo Tribunal de Contas da União junto ao governo do Estado da Paraíba e a seu governador Cássio Cunha Lima (PSDB).

Durante o período eleitoral o governo estadual distribuiu cerca de 35 mil cheques através de um órgão estatal, a FAC – Fundação de Ação Comunitária. Esta sigla, por aqui, é tão conhecida como forró, tapioca, rapadura e seca, claro! A FAC é seria uma espécie de Bolsa Família, com uma diferença gritrante, os valores distribuídos por ela abrange menos gente com muito, mas muito mais dinheiro. Cada cheque distribuído pela entidade supera a casa dos R$ 10 mil. E as justificativas dadas para garantir essas benesses são as mais diversas, por exemplo: tratamento dentário para a esposa de um deputado da base aliada do governo, pagamento de mensalidades escolares atradas, pagamento de plano de saúde particular e por aí vai. Detalhe, os beneficiados não são os menos privilegiados e sim os mais, de preferência gente que trabalhe para (e pelo) governo estadual. Tudo isso, e muito mais, consta em um laudo de 62 páginas fornecido pelo TCU, o qual foi consultado pela reportagem de Isto É. A revista afirma ainda:


“A FAC, para cobrir os cheques, sugou dinheiro do Fundo de Combate e Erradicação
da Pobreza da Paraíba (...)”


Falta saber que tipo de pobreza o governador Cássio Cunha Lima pretende extinguir do Estado. Como ele sempre costuma dizer, em um bordão populista: “Não está escrito em lugar nenhum que a Paraíba tem que ser um Estado pobre”. Pelo visto Cássio está contribuindo para erradicar a pobreza de seus “compadres” e não do Estado. Ademais, Cássio distribuiu cheques apenas para as cidades com maior índice de desenvolvimento. Não consta no laudo do TCU sequer um único cheque para as cidades onde o povo, em sua grande maioria, vive em estado deplorável de miséria. Digo isso pois vivo de perto está desconfortável situação.

O governador Cássio está na berlinda. Sua diplomação como vencedor do último pleito está marcada para o próximo dia 18 de dezembro. Até lá aguardaremos uma explicação plausível para essa possível ação dissoluta do governo estadual. Correm ainda outros três processos eleitorais contra o governador durante a campanha de sua reeleição. Um deles é o caso abordado por este blog do dinheiro que foi jogado pela janela de um edifício na capital do Estado, às vésperas da eleição.

Como sempre a Paraíba volta ao noticiário com uma pauta que constrange aos paraibanos de bem. Realmente é difícil (ou quase impossível) entender como um Estado tão pobre como o nosso encontrou essa miríade de dinheiro para ser gastos durante o último pleito.

4 comentários:

araujo_neto disse...

é uma vegonha não só para os paraibanos mas também para todos nós bvrasileiros, afinal sabemos q isto existe em todo lugar

claudinho disse...

É a ´políticos como esses que a Paraiba está como está

Gilberto Silva disse...

Os políticos são o reflexo de seu povo.

Ricardo Rayol disse...

Realmente eles nao tem o menor pudor em meter a mão na grana dos outros. PQP