18 novembro 2006

Como negociar com o PMDB?

Quer ficar sabendo em tempo real quando alguém está tentando enrolar o PMDB? Fácil. Se o sujeito diz que deseja "um PMDB unido" no apoio ao governo Lula você já sabe que o PMDB está a caminho de ser enrolado. Pedir a união do PMDB em torno de alguma coisa é muita maldade. Se eu não estou enganado, as últimas vezes em que a legenda se unificou foi precisamente para liquidar os que pretendiam unificá-la em torno de algum objetivo. Parece um paradoxo, mas não é. O PMDB só se reúne para evitar a emergência de alguém que possa assumir o comando do PMDB. Essa coisa começou na cristianização de Ulysses Guimarães em 1989. A dose se repetiu com Orestes Quércia em 1994 e Itamar Franco em 1998. A última vítima da federação de caciques do PMDB foi Anthony.


Quando leio o noticiário sobre um eventual impasse nas negociações entre Lula e o PMDB é como se estivesse assistindo a uma reprise. Mas deixa para lá. Vou adotar uma atitude construtiva, em vez de ficar só criticando. Se o presidente me chamasse para pedir conselhos sobre a formação do seu governo eu diria o seguinte [por isso é bom ter blog, você dá palpites à vontade sem que ninguém tenha pedido]: - Presidente, o senhor só deveria negociar com partidos ou blocos, deveria chamar cada uma das forças políticas potencialmente capazes de lhe dar apoio no Congresso e perguntar, com objetividade, quantos votos pode garantir na Câmara dos Deputados e no Senado. Mais ou menos como fez Josef Stalin fez quando lhe disseram que o Papa tinha críticas à União Soviética. "Quantas divisões tem o Papa?", perguntou o líder soviético. Lula deveria negociar espaços no governo em troca do apoio formal de deputados e senadores.


É como funciona nas democracias em que um partido sozinho não consegue a maioria para governar. Eu acho que levaria à formação de uma coalizão política mais sólida, que talvez nos desse alguma paz nos próximos quatro anos. Se determinada bancada ou grupo rateasse em alguma votação seu(s) ministro(s) subiria(m) no telhado. E o que isso tem a ver com o PMDB? Simples. Pouco importa (ou deveria importar) para o governo se o PMDB está unido ou dividido, o que interessa é saber com quantos votos o PMDB poderá comparecer na Câmara e no Senado. Sabe-se, por exemplo, que os PMDBs do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de Pernambuco e do Mato Grosso do Sul não vão apoiar o governo, também porque regionalmente o PT é um adversário feroz. E o que é que nós temos a ver com isso? Rigorosamente nada. Aliás, quem é que ainda agüenta essa discussão?

Alon Feuerwerker

5 comentários:

a.fulgencio disse...

Patrick muito interessante a maneira como abordou um assunto de suma importância como este. O jogo de interesses impera no país

Levi Dantas disse...

Frequentemente tenho acompanhado os comentários do Patrick. Este (Como negociar com o PMDB?) tem, como nos demais um tom apimentado.
Confesso que sou admirador destes tipos de opinião.
Reforça a idéia de independência e atiça a interpretação do leitor.
Parabéns!!!

LEVI DANTAS
Sousa - PB

Everardo Magalhães disse...

Em um país onde os políticos são sérios, honestos e preocupados com o bem estar social, não há necessidade de trocas de favores, o famoso toma lá da cá (por sinal, tão combatido em um passado recente pelo PT). Se essa turma pensasse realmente em favor da sociedade, se eles (políticos) fossem um pouquinho patriotas, não haveria esse "jogo sujo" entre os caciques que comandam os partidos políticos brasileiros. O que deveria ser adotado por esse grupo era uma questão chamada responsabilidade pública, ou seja, se as matérias enviadas para votação forem de interesse da nação, que elas seja aprovadas o mais rápido possível. Infelizmente, isso não acontece. Nosso povo sequer acompanha os processos que tramitam pelas Câmaras Municipais, quanto mais aquilo que ocorre a milhares de quilômetros de distância. O que é lamentável!

Neto disse...

A politica do "tome lá dê cá" ocorre em segundo plano em todos os governos. Isso é normal. Agora saber fazer isso com inteligência sem cair na descrença é o segredo da coisa.
Para o Presidente Lula (e para um presidente em qualquer país que seja) o importante é o avanço e as medidas que deveram ser tomadas para tal.
Fora dessas conjecturas, partidos e políticos são tudo a mesma coisa, e todos do mesmo nível. Não há o que fazer sobre isso.

Abraços Patrick!

TIAGILA. disse...

O tom de romantismo contido no seu
comentário ao falar sobre o PMDB,
chega a ser hilário,como se o mesmo
fosse um partido sem mácula." O PMDB está a caminho de ser enrolado".O PMDB é a prostituta mais cara,destepaís.TIAGILA.