02 dezembro 2006

Soldados da borracha


Quem não se lembra da atabalhoada atitude do governo brasileiro ao cassar o visto de permanência do jornalista americano Larry Rohter, do The New York Times, depois que o mesmo publicou reportagem denunciando a bebedeira presidencial de Lula? Está no texto, logo em sua primeira linha:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca escondeu sua
inclinação por um copo de cerveja, uma dose de uísque ou, melhor ainda, um
copinho de cachaça, o potente destilado brasileiro feito de cana-de-açúcar. Mas
alguns de seus conterrâneos começam a se perguntar se sua preferência por
bebidas fortes não está afetando sua performance no cargo.”
Dessa vez governo terá que render elogios a Larry. Ele é autor de uma excelente reportagem sobre os soldados da borracha brasileiros. Cliquie aqui para ler na íntegra a reportagem publicada no The NY Times. Estes foram sem dúvida grandes heróis da nação, que atuaram entre 1942 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas há um detalhe, os soldados da borracha viveram uma guerra muito mais sofrida que as dos pracinha brasileiros. Os números mostram isso, o contingente dos soldados da borracha foi de cerca de 60.000 homens, dos quais 30.000 foram a óbito. Sabem quantos pracinhas foram a óbito na Itália durante a guerra? 454 homens!

Vamos mergulhar um pouco em nossa história para tentarmos entender o motivo da criação desse contingente. Durante a grande guerra a Ásia era a maior fornecedora de borracha para os Estados Unidos. Só que esta produção estava sobre o controle do Japão, adversário bélico dos americanos, logo o fornecimento cessou, fazendo com que os americanos buscassem outros mercados. Nesta época a produção de borracha na floresta amazônica era diminuta. Para que essa produção fosse garantida voltou ao país a lenda do Eldorado. Milhares de homens, vindos das regiões mais pobres do país, caíram no conto do vigário. Estes soldados quando chegavam ao “front” acabavam por viver em regime de escravidão. O destino da grande maioria destes desbravadores foi a morte (na maioria por malária) e a pobreza. Sem querer tirar os méritos dos pracinhas, mas os grandes veteranos de guerra foram os esquecidos soldados da borracha. É comovente assistir ao depoimento de um senhor de 86, ex-soldado, afirmando que se sente triste ao ver no 7 de setembro o esquecimento da nação.

Mas essa história não existe nos livros didáticos. Nossas escolas não citam esses combatentes. A população desconhece a existência desses bravos. Mas Larry Rohter, este excelente repórter, trouxe à tona, para que o mundo tomasse conhecimento dos soldados da borracha.

6 comentários:

silvioteles disse...

eu memo nao conhecia o assunto. muito bom mesmo

antonio.calado disse...

Todas as homenagens aos pracinha devem ser preservadas, no entanto os soldados da borracha merecem seu lugar na historia nacional

sr.lara disse...

Não conhecemos a historia dos soldados da borracha porque não é do interesse do governo que a conheçamos. Ora, a história se faz de vencedores e como você bem mostrou os números traduzem que eles foram vencidos pelo mosquitinho

naldinho disse...

nÃO conhecia o assunto, mas valeu vou pesquisart mais

José Alberto Mostardinha disse...

Viva Patrick:

Muito bom o seu artigo.
É sempre de enaltecer quem defende a auto-estima do seu povo.
Quem não se respeita a si próprio, dificilmentes está em condições de respeitar o próximo.

É sempre um prazer poder contar com os teus sábios comentários no Estados Gerais.
Pena que sejam tão espaçados meu bom amigo.

Desejo-te um óptimo fim de semana.
Um abraço,

Ricardo Rayol disse...

Belo resgate da história