
Terça-feira, Outubro 31, 2006
A bóia de Alckmin longe do afogado-eleitor

Sábado, Outubro 28, 2006
Dinheiro agora pela janela
"A apreensão foi feita por volta das 19h, causando grande tumulto na Epitácio.
Populares que se aglomeraram na porta do Concorde passaram a gritar palavras de
ordem como "Fora Cunha Lima!" e tiveram que ser afastados por agentes da Polícia
Federal que chegaram logo após os fiscais do TRE.Um homem não identificado foi
contido ao avançar sobre a máquina fotográfica do jornalista Stanley Talião,
repórter do CORREIO da Paraíba. Ele seria um auxiliar de campanha do governador
Cássio Cunha Lima (PSDB), mas não conseguiu evitar que o material apreendido
fosse fotografado."
rei juízo, mas é muito dinheiro, literalmente, jogado pela janela!Não é culpa dos programas de tevê

"A pesquisa [Ipespe/Valor de 24/10] mostra que o eleitor dá grande
importância aos debates entre os presidenciáveis. Dos pesquisados, 43% afirmaram que este é o principal fator para a decisão de voto. Somente 19% disseram que o noticiário a respeito dos contendores é um elemento mais importante. O programa eleitoral e os comerciais exibidos na mídia eletrônica são citados apenas por 15% dos entrevistados."
Leia a íntegra do texto de César Felício.
Vejam, apenas 15% dos entrevistados dizem definir o voto pela propaganda eleitoral. Claro que, por outro lado, ela pode influenciar a pauta jornalística e os próprios debates. Mas os caçadores de culpados da campanha de Geraldo Alckmin deveriam se voltar principalmente para a política, não para o marketing. Acho que eles não vão fazer isso. Pois buscar culpados é só a face visível de sua movimentação. O que querem mesmo é salvar a própria pele. E como escrevi dias atrás, é preciso receber a derrota.
Sexta-feira, Outubro 27, 2006
Mais uma vez, dinheiro na mala
ta prisão fosse por razões de infrações de trânsito. O que acontece é que a PRF apreendeu carro e ocupante por razões políticas. O carro conduzido pelo senhor Glauco Arnaud continha - aproximadamente - nada mais, nada menos que R$ 100 mil. O dinheiro estava dentro de uma mala (mais uma vez dinheiro na mala) separado em 10 envelopes. Nestes envelopes estavam inscritos nomes de prefeitos, vereadores e lideranças políticas do interior do estado Paraíba. O mais grave é que todos estes envelopes continham um CD com a logomarca da campanha do atual governador do estado, e candidato a reeleição, Cássio Cunha Lima (PSDB). O veículo se dirigia à cidade de Campina Grande de onde seria feita a distribuição. Detalhe o Celta (placa MNY 4349) é locado à Secretária do Controle Interno. Ou seja, um descalabro atrás do outro com o dinheiro que, provavelmente, é público. A assessoria de impressa da campanha de Cássio refutou a idéia de crime eleitoral. Segundo ela o dinheiro estaria contabilizado e não tinha fim para compra de votos. A Polícia Federa ainda investiga o caso.Quinta-feira, Outubro 26, 2006
É preciso receber a derrota
dicais do presidente Lula no Senado foram ou caminham para serem derrotados na disputa de poder nos seus estados. Mas para que não apareçam comentários me acusando de oposicionista vou listar pelo menos os estados: Bahia, Ceará, Amazonas, Piauí, Santa Catarina, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Mato Grosso. São os fatos. É claro que contra os fatos pode haver argumentos, ao contrário do que diz o ditado. Mas fatos são fatos. Essas derrotas não provam matematicamente a existência de correlação entre as duas coisas (radicalismo oposicionista a Lula e rejeição popular), mas tampouco podem ser ignoradas.O que Sarney quis dizer quando lembrou que a UDN morreu junto com Getúlio? Não que ela tenha deixado de existir. A UDN viveu até o Ato Institucional nº 2. Mas depois que Getúlio se matou ela deixou de ser uma alternativa real de poder democrático. O eleitor definitivamente não gosta que forças políticas pensem em chegar ao poder por outro caminho que não o apoio dele, eleitor. O povo é cônscio de sua prerrogativa e gosta, naturalmente, de preservá-la. É por isso que uma das coisas mais importantes na política é saber receber a derrota. Modéstia e silêncio são mercadorias valiosas nessa hora. Mas voltemos à UDN. Se Getúlio tivesse conseguido resistir a ela, se tivesse concluído o seu mandato e voltado a São Borja para morrer de velhice, a UDN não teria passado à História como uma agremiação golpista. Apenas combativa e aguerrida. Talvez existisse até hoje. Ao resistir às facções mais criativas da oposição, Lula lhe faz um favor. Com o tempo, se Deus quiser, as acusações de golpismo vão desaparecer na poeira da História. Ficará o registro de que o período Lula foi marcado por uma intensa disputa política, mas que, ao contrário de momentos anteriores no Brasil, tudo se resolveu nas urnas.
Já que isto aqui é um blog, permitam-me um corte algo pessoal. Conheço alguns amigos de caráter oposicionista e outros de caráter governista. Talvez seja por isso que elaboro de vez em quando teorias destinadas a produzir desfechos simultaneamente felizes para os dois lados. Ou talvez eu aja assim por patriotismo. Já que sou vaidoso, permitam-me acreditar na segunda opção.
Terça-feira, Outubro 24, 2006
A regra vale para os dois lados
Na teoria as coisas são (ou deveriam ser) simples assim. O país tem o direito de conhecer todos os detalhes da operação dossiê. Ou de qualquer outra acusação ou dúvida que envolva este governo. Ou governos anteriores. Essa é a regra do jogo da democracia. Mas, se a regra está em vigor, ela vale para os dois lados. Para as duas faces da moeda. Se o julgamento político das urnas não tem o poder de absolver acusados de crimes, tampouco o julgamento político da opinião pública deveria ter o poder de condená-los. Se a maioria eventual nas urnas não apaga a folha corrida de ninguém, tampouco a maioria eventual no tribunal político de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (ou de um plenário, ou de um editorial de jornal) deveria ter o poder de condenar alguém em última instância. Aí parece residir a inconsistência de certas teses. Citações em relatórios de CPIs são tratadas como condenações políticas transitadas em julgado pelos mesmos que recusam ao eleitor a prerrogativa de "anistiar" alguém na base do voto. É o princípio orwelliano de que todos são iguais mas alguns são mais iguais do que os outros. O linchamento político é legítimo, dizem, se a maioria assim o desejar; mas não aceitam a legitimidade da purificação quando a maioria assim se manifesta. Cassar o mandato de alguém sem provas é razoável, dizem, para efeito de profilaxia política; mas os que se arrogam o direito quase divino de suprimir, sem provas, a vontade do eleitor (expressa num mandato popular) não dão ao eleitor o direito que pedem para si. Quer saber das convicções democráticas de alguém? Tente aferir o quanto ele respeita os direitos de quem está na outra trincheira.
Sexta-feira, Outubro 20, 2006
Sobre o debate do SBT
uisas. Também achei desagradável a míriade de dados desfilados por Lula. Ele poderia ter escolhido alguns números mais simbólicos para fixá-los na memória do eleitor. Para se ter uma idéia Lula deu duas vezes os mesmos números sobre saúdes, uma no primeiro e outra no terceiro bloco. Quais foram os pontos altos de Lula? A agilidade e a vivacidade do petista e a exposição de debilidades da administração Alckmin em São Paulo, especialmente na educação. Resumo: Alckmin evoluiu muito em relação ao primeiro debate, enquanto Lula jogou para empatar. Em futebolês: jogou com o regulamento debaixo do braço. O presidente dançou em torno do adversário, mas não se expôs a um nocaute. Com uma diferença de vinte pontos a uma semana da decisão, Luiz Inácio Lula da Silva parece estar mesmo é de olho no relógio. Mas é bom Lula ficar de olho aberto e sair do clima de "já ganhou". Como um time que vai ganhando de 2 a 0 aos 40 minutos do segundo tempo, ele deve saber que não pode correr o risco de ficar só atrás defendendo. Exemplo disso foi o primeiro turno.
Quinta-feira, Outubro 19, 2006
Ainda em busca de toda a verdade

Delegado Edmilson Bruno – Aqui prova, aqui tem um milhão 168, Caixa Econômica Federal. Isso aqui é um dinheiro que está na custódia da Caixa Econômica, ó, é da Protege, ficou na Polícia Federal. (...) Custódia a fonte, custódia. São os reais. Tira o nome da Protege, pra não saber que ta na Protege. Eu tenho outros documentos que falam assim (...) Da Polícia Federal. (...) E tem outro da Caixa Econômica Federal, de 300 mil os depósitos (...) juntar num malote só. Tem a foto desse malote.
Repórter – São quantas fotos, 12 fotos?
Delegado Edmilson Bruno - Eu tenho um monte.
(...)
Delegado Edmilson Bruno – Eu vou confiar em vocês. Vai parecer que alguém roubou e vazou para a imprensa. Mais ninguém tem isso aí, só eu. Nem o superintendente (...) Quando vocês passarem na TV, pessoal, tira o nome da Protege e tira essa data aqui.
Repórter – Tira a data...
Repórter – A data pode deixar.
(...)
Delegado Edmilson Bruno – E no Banco Central (...) essa aqui é a foto da Globo (...) Aí tem o envelope escrito Banco Central (...) e todos os dados do dinheiro o meu nome.
(...)
Delegado Edmilson Bruno – Não, vou chegar para o superintendente e falar, “doutor, fui furtado, mas já falei com os repórteres, ninguém sabe de nada, mas eu to desconfiado, sabe como é, não dá pra confiar em repórter, não dá mesmo”. Agora eu conto com vocês, porque podem abrir uma sindicância contra mim, um processo.
Repórter – Mas quem o senhor vai falar que teria roubado?
Delegado Edmilson Bruno – Não sei, “N” pessoas poderiam ter entrado na minha sala, faxineiro (...) Eu tive acesso a isso ontem às cinco horas da tarde.
Repórter – Mas foi um repórter que entrou na sala do senhor?
Delegado Bruno – Não (...) se vazou, não estou falando que foi um repórter não. É que os repórteres não estão sabendo de nada, não dá pra confiar em repórter (...) o que estou dizendo para vocês é que meu telefone vai estar grampeado.
Repórter – É, por isso que o senhor ligou daquele jeito...
Delegado Edmilson Bruno – Desesperado.
(...)
Delegado Edmilson Bruno – Agora é o seguinte, tem alguém da TV Globo aí?
Repórter – Tem o Bocardi.
(...)
Delegado Edmilson Bruno – Mas tem alguém da Globo aqui, da TV.
Repórter – Tem o Bocardi.
Delegado Edmilson Bruno - Não é o Tralli, né? O Tralli está muito visado (...)
Repórter – Não, é o Bocardi
Repórter – Eu falo com o Rodrigo, pode deixar (...)
Delegado Edmilson Bruno – Ah é, tem o (...)
Repórter – Eu vou falar com o Rodrigo Bocardi, aí ele (...)
Repórter –Não, está certo, o legal é contar esta história (...)
Repórter – ... isso só pode sair amanhã na TV (...)
Delegado Edmilson Bruno – Não, tem que sair hoje à noite (...) pode ser no jornal da Globo no primeiro horário, não pode ser à tarde...
Repórter – por exemplo (...)
Delegado Edmilson Bruno –Tem que sair no Jornal Nacional e na Ana Paula Padrão. Isso aí vazou ontem, então tem que fazer hoje de manhã. O que não pode é perder (...) tem que entrar no jornal logo no primeiro horário da noite, não pode já sair no Jornal Hoje.
Delegado Edmilson Bruno – eles já levantaram (...)
Repórter – (...) mas e a agenda? Não, né?
(...)Delegado Edmilson Bruno – Isso. É possível então falar com a Globo, a Band?
Repórter – Não, pode ficar sossegado (...) A gente vai passar (...)
Delegado Edmilson Bruno –Tem que sair no primeiro horário da noite, não pode sair ao meio-dia(...)
Repórter – no primeiro não, no último
(...)
Delegado Edmilson Bruno – Tem que ser no primeiro, gente. Eu vou fazer o alarde agora com o superintendente... quem vai assistir ao jornal à meia-noite? Eu quero que o público todo veja. Porque você não sabe o que me tiraram (...) não é que é vingança minha, me sacanearam. Enquanto eu estava sendo ouvido sabia que foram lá no Banco Central antes de mim e tiraram fotos antes e deram para o FBI? Fizeram isso, no meu nome, pegaram o meu protocolo... como eu estava com os peritos... então agora nós vamos fazer a perícia...
Repórter – Tá, combinado.
Repórter - Aí eu ligo para o senhor.
Delegado Edmilson Bruno – Então Globo e Band eu fico tranqüilo?
Repórter – Pode ficar, pode ficar.
Delegado Edmilson Bruno – Que hora é o Jornal Nacional, oito da noite? Vou ligar a TV nesse horário, hein?
Repórter – Pode ficar sossegado.
Repórter – Tchau, doutor.
O papel da mídia
"Leio no Blog do Mino que a história do delegado Bruno é mais complicada e eletrizante do que parece. Segundo Mino Carta, o envolvimento da TV Globo no episódio da divulgação das fotos é maior e mais comprometedor. Ao Mino:
Aqui vai outra informação das mais representativas dos comportamentos globais.
No dia 28 de setembro, o infatigável delegado entregou as fotos ao repórter da
Globo que atende pelo sobrenome de Tralli, o qual, solerte, as entregou aos
superiores. Logo a emissora tomou a decisão de evitar ser acusada de repetir a
ação golpista perpetrada contra Lula em 1989, na vergonhosa manipulação do
debate com Collor. Donde, sugeriu ao Bruno que chamasse os repórteres de outros
jornais e emissoras, e que repartisse o tesouro entre eles. Diligente, o delegado atendeu a sugestão no dia seguinte.E o diretor de Jornalismo da Globo Ali Kamel ainda afirma que "se tem uma coisa que tem alegrado a nós, jornalistas da TV Globo, é o alto grau de isenção que temos conseguido imprimir na cobertura dessas eleições".
Mas o distinto público está reclamando. Hoje, mais cartas de leitores denunciam a "cobertura isenta" do jornal O Globo. Um deles ironizou a "solução isenta" do jornal, que ilustrou o comício de Lula no centro do Rio com a fotografia de um engarrafamento de ônibus... "
E ainda do mesmo blog, sobre a matéria divulgada neta semana da revista Carta Capital, Mello trancreve a reportegem:
"(...) Algumas pessoas têm a fita de áudio com a conversa do delegado Bruno com os quatro repórteres. Mais pessoas ainda a ouviram. Uma delas é o repórter Luiz Carlos Azenha, que tornou público vários de seus trechos no seu site pessoal na internet "Vi o mundo, o que nunca você pode ver na tevê" ( http://viomundo.globo.com/ ). Azenha, que é repórter da TV Globo, não quis dar entrevista a Carta Capital. Pediu para que se procurasse a emissora. Para o que mais interessa ao desenrolar da nossa história, dos trechos da fita, deve-se destacar a preocupação de Bruno em fazer com que as fotos chegassem no dia ao Jornal Nacional. "Tem alguém da Globo aí?", pergunta ele. Um dos quatro responde: "Não é o Tralli? O Tralli está muito visado", Bruno diz, referindo-se a César Tralli e ao incidente, conhecido de muitos, de esse repórter da TV Globo ter podido acompanhar, praticamente disfarçado de Polícia Federal, a prisão de Flávio Maluf, filho de Paulo Maluf (...)"
Sei que muitos dos leitores deste blog são eleitores declarados do candidato tucano Geraldo Alckmin, mas este blog busca a verdade, esteja ela onde estiver, e neste caso ela parece ter dois lados. O vídeo é escandaloso e a grande mídia deveria sim buscar a verdade dos fatos, sem paixão política, sem interesses. A população brasileira merece.
Quarta-feira, Outubro 18, 2006
Levando de lavada

Os novos números da pesquisa Datafolha. Outra pancada nas costas de Alckmin que não consegue sair do lugar, a não ser para baixo. Mas o resultado me surpreendeu, 60% a 40% (em votos válidos) achei um exagero. Até parece que Lula está no combate sozinho. Alckmin está em queda, e brusca. Não consegue tirar votos de Lula. E Lula, ao contrário de Alckmin, além de já ter o apoio da maioria dos eleitores de Cristovam e Heloísa Helena, consegue tomar cerca de um para cada dez eleitores de Alckmin no primeiro turno, como podemos perceber na tabela abaixo, extraída do relatório do Datafolha de ontem.
Visualize melhor clicando na imagem
Faz parte da vida de todo blogueiro especular. Quando escrevi dias atrás que se Geraldo continuasse assim iria levar de lavada não imaginava uma diferente tão grande (de 20 pontos) como mostrou a pesquisa Datafolha. A campanha tucana com o passar dos dias vai perdendo o fôlego. A cartada do debate da Band não funcionou. Ao contrário do que muitos analistas e blogueiros diziam, quem acabou vencendo o debate (na opinião do eleitor) foi Lula.
O segredo do sucesso de Lula está alicerçado em duas bases: a social e a regional. Geraldo Alckmin ficou ilhado nos cerca de 40% de votos válidos que recebeu ainda no primeiro turno. Mas por que Alckmin não consegue aumentar, ainda que diminutamente, seu eleitorado? Nem citando nos programas do fim de semana que abosorveria idéias de Cristovam Buarque em seu governo Alckmin não consegue convencer aos eleitores do pedetista a votarem nele. Aliás abro aqui um parênteses para especular mais uma vez. Desta vez sobre o motivo do não apoio formalizado do PDT à candidatura de Alckmin. O PDT sentiu (nas pesquisas) que seus eleitores no primeiro turno, em sua maioria, estão migrando para a candidatura petista. Daí se eles formalizassem esses apoio correriam o risco de pregar no deserto, o que seria péssimo para o partido. Até mesmo a esposa de Cristovam, Gladys, já declarou que votará em Lula. Mas voltando ao motivo da paralisia de Alckmin nos 40% de votos válidos. Os eleitores progressistas e de esquerda que no primeiro turno optaram por votar em Cristovam Buarque e Heloísa Helena não tem, na sua maioria, identidade com o candidato tucano. E no eleitorado da senadora e do senador o voto dito ideológico pesa muito. Pois em nenhum dos dois casos o eleitor tinha qualquer esperança de eleger o candidato. Esquerda, direita, progressista, divisões sociais, divisões regionais. As categorias da ciência social ajudam a compreender a realidade, mesmo nesta era da marquetagem.
Segunda-feira, Outubro 16, 2006
Se continuar assim vai perder de lavada
Uma das coisas mais difíceis na hora da derrota é você suportar a dor de saber o quanto foi responsável pelo resultado que colheu. A tentação maior nessas situações é você buscar na autopiedade o efeito anestésico que vai aliviar o sofrimento. É o tipo de anestesia que mais atrapalha do que ajuda, como no caso do jogador de futebol que toma qualquer coisa para entrar em campo mesmo machucado. Mas as pessoas gostam dessa droga. Com o tempo, conseguem até construir mitologias complexas, recheadas de delírios persecutórios. Até que um dia se desligam completamente da realidade e passam ao mundo virtual dos desejos, do subjetivismo e da paranóia.A política está cheia de exemplos assim. Mais na esquerda do que na direita -até porque é a esquerda que detém o maior número de derrotas a lamentar. Um exemplo é o tal debate entre Fernando Collor e Lula em 1989 e sua edição no Jornal Nacional da TV Globo. Lula foi muito mal no debate e o telejornal de algum modo refletiu isso. Houve "manipulação"? É possível, mas o JN não contou uma mentira. Só agiu nos limites da edição jornalística. Pois bem, Lula perdeu a eleição para Collor e desde então o JN que deu a matéria do debate entrou na mitologia da esquerda como responsável pelo resultado final daquele segundo turno. Que o diga meu professor Hugo Sousa. Claro, é mais fácil para o PT dizer isso do que admitir o crasso erro político que cometeu ao recusar o apoio de Ulysses Guimarães na reta final em 1989. E, além do mais, Lula nunca chegou a estar na frente de Collor nas pesquisas. O petista nunca chegou a ameaçar seriamente o favoritismo do rival. Amaldiçoar a escuridão dá menos trabalho do que acender uma vela. O problema é que não ilumina o ambiente. Mas, como o mundo gira e a Lusitana roda, hoje o PT faz aliança com quem tiver que fazer (uma evolução). Talvez esteja na hora de nomear uma comissão para reescrever a história do partido e fazer algumas autocríticas. Depois da eleição, é claro.
Essa conversa toda é para dizer que a doença tradicional da esquerda parece ter contaminado a campanha de Geraldo Alckmin. O noticiário está prenhe de reclamações contra um suposto terrorismo eleitoral do PT e aliados. Tucanos e pefelistas atribuem o aumento da distância entre Lula e Alckmin às afirmações (infundadas, segundo PSDB e PFL) de que a eventual mudança de governo representaria uma ameaça aos programas sociais e abriria a porta para a volta das privatizações. Vamos aos fatos. A distância tradicional entre Lula e Alckmin em simulações de segundo turno nunca havia baixado da casa dos dez pontos percentuais. No final do primeiro turno, em meio à comoção causada pelo acúmulo inédito de mídia negativa contra Lula (mídia gerada pela própria campanha petista), baixou para cerca de metade disso. A partir desse dado isolado, o spinning tucano-pefelista passou a espalhar que o vetor de Alckmin era ascendente e o de Lula, descendente. Como se sabe hoje, essa afirmação não se comprovou na prática.
O eleitorado parece que vai se reacomodando entre os candidatos. Como aquelas bolinhas de borracha que você deforma e elas sempre voltam ao formato original. Para quebrar esse bloco, a oposição teria que migrar para um lugar mais ao centro. Mas Alckmin está tendo dificuldade nessa migração, pois não tem pontos simbólicos em que se apoiar, além de ter ido muito longe no antipetismo e no antilulismo. As pessoas não são estúpidas. Ninguém acredita que o tucano vá vender todas as estatais. Apesar de alguns de seus eleitores (entre eles o Serjão) quererem que ele venda tudo. Mas Lula está explorando o fato inegável de que num governo dos adversários haveria maior probabilidade de empresas estatais serem vendidas. Sobre as dificuldades que enfrentam no debate do Bolsa Família, os tucanos devem buscar parte da explicação nas repetidas vezes em que pessoas identificadas com eles disseram que o programa é uma esmola. Alckmin já perdeu a eleição? Não. Mas vai perder, e de lavada, se permanecer boiando nesse mar de lamúrias. Se não conseguir explicar, minimamente, no que o seu governo poderia ser melhor para a maioria que hoje está fechada com Lula, mesmo depois de tantos tropeços do presidente e do seu partido.
Troféu Blog Destaque da Semana
Fiquei muito feliz com a indicação deste espaço como BLOG DESTAQUE DA SEMANA (16.10.2006) no site Gazeta dos Blogueiros. Agradeço a todos os amigos que me ajudaram em mais este prêmio.
Sexta-feira, Outubro 13, 2006
Oito ou oitenta
Voltaram os programas de tevê dos candidatos a presidente. Vamos por partes. Começando pelo debate da Bandeirantes. Geraldo Alckmin agiu como foi sugerido por um amigo a Lyndon Johnson, quando o então presidente americano perguntou como proceder diante do crescente envolvimento na Guerra do Vietnã: - declare vitória e caia fora, aconselhou o amigo. Sabe-se que Johnson não seguiu o conselho, mas o tucano fez mais ou menos isso no dia 12, (re) início da propaganda eleitoral, em relação ao debate de domingo. Mostrou algumas perguntas duras dirigidas a Lula, exibiu títulos de matérias de jornal que apontaram Alckmin como vencedor, recorreu a um "povo fala" rápido e mudou de assunto. Já o programa de Lula foi quase todo dedicado ao debate. Declarou vitória e ficou dentro. Procurou enfatizar que o presidente respondeu a todas as perguntas. Usou as respostas presidenciais para defender que Lula está mais preparado para o cargo.Nos dois casos, do PT e do PSDB, tudo a ver com as qualis. Os relatórios das pesquisas qualitativas sobre o debate da Band indicaram o que o eleitor de Lula esperava do presidente: respostas. E que esse eleitor considerou tê-las recebido. Daí ter ficado satisfeito. Já Alckmin, além de ter transmitido uma imagem de certa arrogância, ficou devendo propostas. Uma resposta típica foi "ele não disse o que vai fazer, faltou conteúdo". Provavelmente por isso, o tucano jogou tudo hoje na imagem de administrador eficiente e na promessa de um futuro com muito crescimento, empregos, etc.
Os escândalos ficaram meio de lado, como uma parte do passado que é preciso superar. O programa de Lula foi básico, quase um clipping de trechos do debate. O de Alckmin foi tecnicamente mais sofisticado, mas uma coisa me incomodou: não dá para passar de oito a oitenta assim, a seco. Ou de oitenta a oito. Alckmin vinha numa escalada de ataques e acusações, que culminou no debate. Agora, aparece de novo com o jeito que tinha lá atrás. Pode até funcionar, mas também pode causar desconforto, desconfiança. E vamos ver o programa da noite para saber se a linha dura da coligação PSDB-PFL foi mesmo para o ostracismo, ou se é só impressão.
Este texto também será publicado no site do jornalista Mhário Lincoln. Para visitá-lo clique no banner à direita.
Quarta-feira, Outubro 11, 2006
Lula ganha votos de Heloísa e Cristovam
"Se, na pesquisa anterior, os eleitores que declaram ter votado no candidato do PDT, Cristovam Buarque, quarto colocado no primeiro turno da eleição, se dividi
Alckmin perdeu nove pontos entre os eleitores que declaram ter votado em Heloísa Helena, do PSOL, terceira colocada no primeiro turno. O tucano passou de 48% para 39%, enquanto a preferência por Lula foi de 32% para 36% entre o eleitorado da senadora [uma variação de 13 pontos na diferença entre Lula e Alckmin".
O trecho acima deixa claro que Lula vai vencendo a batalha pelos votos de Heloísa Helena e Cristovam Buarque, apesar de nenhum dos dois até o momento declarar seus votos. Vejo duas razões possíveis: a primeira, o intenso trabalho petista de vincular a imagem de Alckmin a privatizações e cortes orçamentários (dois anátemas para a esquerda) e a segunda o fato de Alckmin não ter se preocupado em cativar esse eleitorado flutuante durante o debate da Rede Bandeirantes, coisa que Lula soube fazer muito bem, incluisive quando comparou Alckmin ao presidente norte-americano, George W. Bush.
Sobre o debate, o Datafolha detectou empate técnico quando perguntou quem foi o vencedor. Se Alckmin estivesse disputando um campeonato de debates, teria razões para comemorar. Como está disputando a eleição presidencial, tem razões para lamentar as decisões erradas que tomou. Se quiser saber quais foram, basta que leia o relatório das suas qualis. Se é que ele ainda não leu. Não devem ser muito diferentes dos relatórios mostrados ao presidente logo depois do debate. Por incrível que possa parecer, no debate e fora dele a campanha do PT foi e está sendo muito competente para criar uma muralha da China entre Alckmin e o eleitorado mais progressista. O que a campanha tucana tem feito até agora sobre o assunto? Choramingar, espernear e rugir.
Terça-feira, Outubro 10, 2006
O destreinado Lula
Ao longo de quase quatro anos de governo, Lula preferiu atender aos conselhos de quem queria "protegê-lo" da imprensa ao invés de encarar os fatos. O presidente deu uma entrevista formal, apenas, isso depois de ter sido pego de surpresa com o segundo turno. Desabituou-se de ser questionado. Mesmo na única coletiva dada, proibiu as réplicas dos jornalistas. Outra coisa: o volume e a diversidade de informações sobre o governo é tal que você tem que estudar o tempo todo, e quando falo estudar não emprego o termo no sentido formal. Fazer provas, submeter-se a questões desconhecidas e inesperadas também é estudar. Afinal, a sabedoria é o processo progressivo em que você se torna mais capaz de resolver problemas que não conhece. Sabedoria não é erudição. Uma coisa não se confunde com a outra. Em resumo: Lula passou quase quatro anos discursando e agora tem que debater. Leva um tempinho para voltar à forma, não acham?
Segunda-feira, Outubro 09, 2006
Alckmin incorporou a Heloísa Helena
Minhas impressões sobre o debate de ontem entre Lula e Alckmin promovido pela Rede Bandeirantes. O debate foi bom, quente, ao gosto daqueles que amam um confronto direto. Cada um falou para o seu público, no que ambos fizeram muito bem. E o que ambos fizeram bem. Lula enfatizou as comparações com as gestões tucanas e os resultados do seu governo, quando pôde. Alckmin procutou afogar Lula num mar de ataques e acusações. O eleitor roxo de Alckmin deve ter saído do debate com muito ódio de Lula. O eleitor fechado de Lula deve ter saído do debate com muita raiva de Alckmin. E os indecisos? Há indecisos e indecisos. O problema de Alckmin é que os votos em disputa foram dados no primeiro turno a candidatos identificados com a esquerda. Como alguém de esquerda e que não odeia Lula recebeu o comportamento do ex-governador ontem? Tenho minhas dúvidas. Alckmin lançou mão de uma tática arrojada: abandonou o centro. É não convencional. No fim, ficou parecendo para mim que o tucano tinha incorporado a senadora Heloísa Helena. São as ironias da política. Lula evitou Heloísa ao não comparecer a debates no primeiro turno. Foi encontrá-la "incorporada" a Alckmin no segundo turno. Nesse aspecto, talvez parcela dos eleitores da senadora tenham reforçado sua identidade com o tucano. Mas o debate foi bom. Muito bom. O melhor desde que Lula e Fernando Collor se enfrentaram no segundo turno de 1989. Foi até um pouco parecido, ainda que Lula não tenha ido mal como foi daquela vez. E você, o que você achou?E pra quem não viu e pra quem quer ver de novo separei (diretamente do portal do IG) os cinco blocos do debate, é clicar e (re) analisar:
Primeiro bloco
Segundo bloco
Terceiro bloco
Quarto bloco
Quinto bloco
Sexta-feira, Outubro 06, 2006
E no segundo turno...
O Blog do Fernando Rodrigues, do Uol, trouxe dias atrás uma tabela com as eleições estaduais em que houve "viradas" do primeiro para o segundo turno, desde quando a regra começou a funcionar, em 1989. Se você leitor tiver interesse, você pode pesquisar cada uma delas.Mas eis o que realmente eu queria dizer, há dois elementos fundamentais num segundo turno. As alianças políticas e a mobilização de quem votou em branco, nulo ou faltou no primeiro turno. O jogo entre Lula e Alckmin está equilibrado no primeiro quesito. No segundo, vai ganhar quem conseguir criar a maior rejeição ao adversário. Uma regra não escrita da politica diz que o eleitor não sai de casa no dia da eleição apenas para eleger alguém. Ele quer também derrotar alguém. Lula vai pintar o PSDB como um partido das elites, entreguista e insensível ao povo. Já Alckmin vai pintar o PT como uma quadrilha político-sindical que deve ser extirpada do Estado. Vamos ver quem se sai melhor. Só não vale se apaixonar muito. Ou você ainda é daqueles que acreditam em qualquer coisa que lhe tentam vender em época de eleição? Eu prefiro ver as coisas por uma outra lente.
PT e PSDB são partidos que convergem para o centro político. O PT propõe mais ênfase nos gastos públicos com finalidades sociais. O PSDB enfatiza mais a necessidade de estimular a atividade econômica privada. Mas nem o PT é contra a iniciativa privada nem o PSDB é contra o investimento social. O ideal num país civilizado é que correntes com essas características se alternem de tempos em tempos no poder. Se você acha que a orientação do PT deve ser aplicada durante mais quatro anos, vote em Lula. Se você acha que a hora é de mudar o foco, vote em Alckmin. Mas, por favor, desconfie de quem se apresenta a você como o salvador da pátria, de um lado ou do outro.
Este texto será (foi) publicado no site do jornalista Mhário Linconl
Quinta-feira, Outubro 05, 2006
Cláusula de barreira: nem o TSE entende
Tem gente que acha que escrever sobre política é um saco. Eu não. Escrever sobre política, principalmente a brasileira, é muito divertido. Quando o jogo parece decidido vem um árbitro e dá um penalti aos 45 minutos dos segundo tempo. Nesse caso o árbitro pode ser chamado de juizou juízes. Vejam só , o Tribunal Superior Eleitoral decidiu ontem divulgar três interpretações possíveis sobre a lei que institui a cláusula de barreira (às 14:02, 16:05 e 18:25h). O TSE promete a qualquer momento escolher uma das três interpretações. Interessante. Eu achava que a função dos tribunais era aplicar a lei e interpretá-la. Mas não sabia que "interpretar" era isso.A seguir os links para que vocês, nobres leitores, se informem:
Primeiros cálculos do TSE apontam partidos que atingiram ou não a cláusula de barreira
Segunda interpretação aponta número menor de partidos a alcançar cláusula de barreira
Terceira interpretação do TSE aponta 6 partidos que alcançam a cláusula de barreira
Portanto, se você se sente inferior por não entender nada sobre a tal cláusula de barreira não fique triste. E se você, leitor, acha que entende um pouquinho sobre o assunto, deixe sua opinião na caixa de comentários que com satisfação encaminharei seu entendimento ao TSE, quem sabe como prêmio você acabe sendo nomeado para lá! Boa sorte.
Quarta-feira, Outubro 04, 2006
Agrega ou desagrega votos?
Segunda-feira, Outubro 02, 2006
Em defesa dos institutos de pesquisa
tos que fizeram pesquisa nos dias anteriores à eleição mostraram o estreitamento entre Lula e Alckmin. Datafolha e Ibope cravaram empate técnico entre Lula e adversários na véspera da votação. E o resultado final do primeiro turno foi muito próximo (em votos válidos) ao que ambos haviam diagnosticado na reta final. Uma coisa importante: os institutos não perguntam aos pesquisados se eles vão ou não votar no dia da eleição. Portanto, todos os índices obtidos nas pesquisas anteriores à boca-de-urna devem ser interpretados sobre o total do eleitorado.De uns tempos para cá, os institutos fazem, digamos assim, uma gambiarra para tentar se defender dos ataques políticos: nos últimos dias antes da eleição, passam a divulgar principalmente os índices de votos válidos. Fazem isso na suposição de que a abstenção será mais ou menos a mesma no eleitorado dos diversos candidatos e que, no fim, essa malandragem estatística passará despercebida. Mas isso quase sempre tem dado errado, exatamente porque a distribuição da abstenção não tem sido uniforme.
Fala-se ainda muito sobre o debate da Rede Globo, sobre a crise do dossiê, mas eu prefiro prestar atenção em outro detalhe: a relação entre absenteísmo eleitoral (ausências, brancos, nulos) e menor instrução e renda. Essa quebra na votação sofrida agora por Lula aconteceu também com Fernando Henrique Cardoso em 1998. Mas é um debate em aberto.
Importantíssimo para o segundo turno. Lula vencerá a eleição se mobilizar o seu eleitorado, se levantá-lo em defesa do governo. Se usar toda a sua força para levar às urnas a parcela da população que mais teria a perder com uma eventual mudança de guarda no Palácio do Planalto. Lula perderá se não o fizer. A dúvida é saber se Lula e o PT ainda têm energia e forças para travar essa sangrenta batalha pela “troca” da agenda eleitoral. Diante da passividade com que vêm apanhando e se deixando conduzir ao matadouro pelo adversário no último ano e meio, trata-se de uma dúvida bastante razoável.
Depois do tombo... fala Lula!

"Não venci porque não venci. Faltou voto. Não tem eleição ganha. Vai demorar um pouco mais a vitória, mas ela virá". Essas são palavras de um entusiasmado Lula em entrevista coletiva agora a pouco no Palácio da Alvorada. Aos meus estimados leitores, transcrevo alguns trechos que achei importante.
Agência Reuters - O senhor se arrepende de não ter ido ao debate? Quais as alianças políticas que perseguirá?
Se eu tivesse uma bola de cristal para saber o que me daria mais ou menos votos eu faria o que teria me dado mais votos. Agora, não. O debate será mais ágil. Será um candidato contra outro. Será mais esclarecedor. Não tenho pesquisa para mostrar se eu deveria ter ido ou não ao debate. Agora, os aliados estão mais previsíveis. Serão dois candidatos aos governos estaduais. Um escolherá um, outro escolherá outro. Vamos definir nossas alianças políticas. Em Pernambuco, vou apoiar Eduardo Campos e sei que ele irá me apoiar. A coordenação política entrará em contacto com essas pessoas e saberei depois. Eu soube que ela (Heloísa Helena) liberou seus eleitores para votarem em quem quiser. É uma sóbria decisão. Isso já aconteceu com o PT. Mas os eleitores já estão tomando posição.
Folha de S. Paulo - O senhor compartilha com a visão de que o dossiê e a exploração das fotos contribuiram para o segundo turno?
Havia uma pressão da sociedade para que houvesse segundo turno. Se é uma coisa que gostamos de fazer, Alencar e eu é fazer campanha. Avaliar o que nos levou para o segundo turno... Ainda não sei. Vamos disputar o segundo turno com a mesma força que disputamos o primeiro.
(...) Todo político se queixa da imprensa. O dado concreto é que ela tem um papel muito importante na consolidação da democracia. Tudo tem de ser mostrado. Tinha a fotografia (do dinheiro) e ela tinha de ser mostrada a qualquer hora. Tem um mistério nesse dossiê... Quero saber quem arquitetou essa engenharia (a montagem e compra do dossiê pelo PT) para nos tirar o pé... Se fosse nos Estados Unidos alguém estaria fazendo um filme a respeito.
Jornal do Commercio - O que se diz é que o senhor vai se vestir como candidato dos pobres e tentar vestir Alckmin como o candidato dos ricos?
Se fosse assim eu já teria sido eleito. Governei para pobres e ricos. Se alguém quer dividir os candidatos... A luta me fez chegar à presidência da República. A sociedade brasileira, a cultura brasileira não permitem essa divisão...
(...) Quando os dados mostram que tiramos pouco mais de 19% dos brasileiros da pobreza, todos ganham - eles, os pobres, e os ricos. É um processo de produção de riqueza contínuo. Vou continuar privilegiando os mais necessitados. Por isso que tenho política de desenvolvimento para o Nordeste que durante muito tempo ficou esquecido.
TV Globo - O senhor disse que o caso do dossiê foi um tiro no pé. O senhor culpa o PT?
Eu não posso culpar o PT que é muito grande. Quando você negocia com bandidos está sendo tão bandido quanto eles. Eu peço a Deus que tudo seja esclarecido. A Polícia Federal tem autoridade para fazer as investigações sérias.
(...) Se eu me licenciar do cargo, Alencar terá de assumir. E ele será muito importante em Minas Gerais. Vamos continuar governando. Você nao precisará mais fazer tanto esforço físico no segundo turno. O tempo de televisão será igual. Dá para governar e fazer campanha.
Agora falo eu. Como deu pra perceber o segundo turno abriu os olhos de Lula. Em menos de 24 horas da confirmação de um segundo turno Lula saiu para o combate. A disputa promete!