02 fevereiro 2007

A ameaça que vem de dentro

A uma ameaça séria para a imprensa democrática brasileira. Dessa vez não é não é o Governo a ameaça, ela parte de dentro dela própria. A pedido da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), o Ministério Público do Estado de São Paulo iniciou uma investigação sobre uma possível irregularidade na administração do jornal Destak, da capital paulista. O Destak é um jornal distribuído gratuitamente e esse deve ser o fator que incomoda a ANJ. Para que os leitores entendam a situação abaixo segue um trecho do jornal Folha de S. Paulo do último dia 31:

"Investigado pelo Ministério Público de SP por suposto controle estrangeiro, situação vetada no Brasil, o jornal informou ao órgão que a presença majoritária de portugueses no conselho de administração não fere a Constituição. Disse que o dono majoritário é naturalizado há mais de 50 anos, o que é previsto em lei, e que a gestão empresarial cabe a dois brasileiros natos."
O Destak é um jornal distribuído gratuitamente, o que certamente incomoda alguns (não os que o lêem, claro). A média de destribuição do Destak é de 200 mil exemplares semanalmente. A alegação da ANJ é de que o jornal descumpra o artigo 222 da Constituição Federal, que prevê que ao menos 70% de uma empresa jornalística deve pertencer a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos. No caso do Destak, 70% das ações pertencem ao empresário André Jordan, brasileiro naturalizado há mais de 50 anos, e 30% são de dois grupos portugueses. Mas a ANJ alega que o conselho administrativo é integrado por apenas um brasileiro e seis portugueses ligados aos sócios minoritários: Cofina, maior grupo de mídia impressa de Portugal, e Metro News, que lançou o veículo em Lisboa.

Reparem bem, o dono de jornal, André Jordan, está sendo investigado só por ter nascido no exterior, ainda que esteja naturalizado há mais de meio século. Seria isso um caso de xenofobia? Prefiro acreditar que não. A investigação do MP põe em risco o emprego de inúmeros profissionais. Será que a ANJ vai empregá-los caso isso se comprove? Minha opinião: qual o problema de se abrir o mercado jornalístico ao capital estrangeiro? Ninguém vai trazer gente de lá de fora para trabalhar em jornais brasileiros, porque lá fora não se fala português, é óbvio! Ademais, a presença dos investidores estrangeiros por aqui poderia, quem sabe, aumentar a concorrência no setor. Isso seria bom para todos.

8 comentários:

varela disse...

Patrick, agora sim parace que o ano vai começar. Quanto a noticia, é brincadeira, é só mexer no bolso dos grandes que começam as perseguições.

prof.altamiro disse...

Muito bom Patrick. Isso incomoda grandes veiculos como Folha, Estdao e o globo

murillosantiago disse...

Sr. Patrick, você está sumido cara! Começo a desconfiar que você é assessor de algum parlamentar e que só voltou depois que a manezada está de volta.

Ricardo Rayol disse...

Patrick, sei não mas como mídia é um forte veiculo de propagação de idéias e tendencias ter uma empresa estrangeira pode afetar o entendimento das coisas. Por exemplo, se um jornal cubano abrisse suas portas aqui não tenho duvidas das loas à Fidel. O contrário também.

Primavera Negra disse...

Patrick, o setor de informações é considerado estratégico e relevante para a soberania nacional, por isso é vetada a propriedade de meios de comunicações a estrangeiros no Brasil.
Ok, pode ser difícil 'trazer' gente de fora para trabalhar por aqui por causa da língua ( embora não necessariamente, pois o Português é falado em vários outros países como Angola, Cabo Verde, Timor Leste e, óbvio, Portugal ), mas um conglomerado estrangeiro, com muita grana pode facilmente pautar um grande jornal.
Imagine a Folha, o Estadão ou o Globo em poder de um Murdoch, por exemplo.
Eu sou a favor de toda liberdade de expressão e de circulação de idéias e contra qualquer intervencionismo estatal mas nesse caso eu acho que os meios de comunicação em mãos de brasileiros é uma medida salutar.
Você sabe muito bem do poder da mídia para influenciar a opinião pública e, por consequência, os rumos do País.
Desse jornal Destak sinceramente, nunca ouvi falar...

Santa disse...

O MP deve é desovar os milhares de processos engavetados com denúncias de de corrupção, protegendo assim parlamentares e governistas, e deixar a imprensa trabalhar.

Bjs

Anônimo disse...

Patrick
Já que a ANJ está preocupada com a porcentagem de nacionalização de um jornal de distribuição gratuita, porque não aproveita e extende a investigação aos demais periódicos?

cassiano disse...

Patrick cara, isso tá tudo sendo feito na surdina. Cadê que a grande mídia cobre o assunto. Ah se não fossem os blogs...