22 março 2007

Reinaldão e a "chaga" de Bento XVI

Os que lêem o blog do Reinaldo Azevedo (vejo o rapaz na sua mocidade, ao lado) diariamente, como eu, devem ter percebido a insistência do jornalista sobre o tal "erro de tradução" cometido e sustentado pela imprensa nacional na divulgação da exortação apostólica Sacramentum Caritatis (Sacramento da Caridade) de Bento XVI. A grande celeuma está quando Bento XVI falou que o segundo casamento "é uma praga". Na minha opinião era "praga" mesmo o que ele queria dizer, e não chaga, ou ferida, como interpretaram alguns carolas, embora as duas palavras derivem da mesma raiz no latim, e possam ter os mesmos sinônimos.

E essa discussão não é nova, afinal, foi a própria Igreja quem inventou esse gênero, com debates acalorados sobre quantos anjos caberiam em uma cabeça de alfinete, e, mais importante, se anjos teriam sexo (algo muito relevante para a paz celestial, aliás; o sexo faria enorme diferença, se estivessem muitos deles encostadinhos uns aos outros em algo tão apertado quanto a cabeça de um alfinete).

Toda essa querela é inútil. Ora, os veículos de informação apenas divulgaram uma informação oriunda do site do próprio Vaticano. Até mesmo Reinaldo Azevedo, defenson incondicional de Bento XVI, percebeu isso, como escreveu em seu blog:
"Mas o que interessa mesmo é o que está escrito em latim, a língua eclesiástica, cuja recuperação o papa recomenda. Como se verá abaixo, o papa escreveu “plaga”. Conforme se lê na página 651 do Dicionário Latino Português, de Francisco Torrinha, “plaga” quer dizer “chaga, ferida, lesão”. E só por extensão “golpe, prejuízo, dano, desgraça, desventura, calamidade, desastre”. Quisesse dizer “praga”, no sentido que assumiu em português, teria escolhido “calamitas” (pág. 873 do Dicionário Português Latino, do mesmo Francisco Torrinha). Como empregou “plaga”, quis dizer mesmo “chaga, ferida”. A exemplo das de Cristo, retrato de sua aflição — a mesma que ele vê nos católicos. “Praga”, como a que chegou até nós, é a de gafanhotos. O papa falou de outra coisa. "Ah, e os tradutores do Vaticano?" Que se danem. Nem eles podem mudar essa escrita."
Mas esse post não é para atacar o Reinaldão. Até porque gosto de seu trabalho. Trouxe à baila o assunto pois estava pensando com os meus botões e fiquei imaginando a confusão que irá ser provocada no apostolado de Bento XVI se suas recomendações forem mesmo postas em prática. Afinal o alemão mandou que os padres se preparassem para celebrar suas missas novamente em latim. Imaginem só, se os tradutores do Vaticano confudem "praga" com "chaga" o que não podem confundir mais?

5 comentários:

DANIEL PEARL disse...

Porque defendo uma CPI DA MÍDIA, JÁ: Será que nossa imprensa desempenha com honestidade seu papel ou quer se tornar um “Judiciário” para derrubar o Governo Lula? O ocorrido em 2006, quando a maioria dos jornalistas vendeu a sua alma aos “tucanos” nas eleições presidenciais, sendo sistematicamente críticos ao presidente Lula. Não podemos aceitar um jornalismo sujo, sem vergonha, sem postura, mesquinho, que não respeita o cidadão, a ética e a verdade. Você aceita uma revista “Veja”, como a guardiã do verdadeiro jornalismo? Rede Globo, emissora braço direito do Golpe Militar de 1964, defendendo a liberdade de imprensa? Jornais Folha e Estadão, dizendo que fazem um jornalismo isento e sem partidarismo? É hora da Câmara dos Deputados criar a CPI DA MÍDIA, e já, para o bem na Nação. Daniel Pearl – blog “Desabafo País (Brasil) - http://desabafopais.blogspot.com

Patrick Gleber disse...

O o Reinaldo não pára. Agora o alvo é o Azenha.

Ricardo Rayol disse...

Só um papa retrógrado e nazista para conceber tal idéia imbecil. E criticar o segundo casamento, qualquer que seja o termo utilizado, só demonstra que a Igreja está muito aquém do que precisda a humanidade. Fazer baderna ppode, controle de natalidade não.

Escorpiana Explosiva disse...

PASSEI PRA DA UM OI.

Abreu disse...

Quem e aonde essa "discução" quer/pode levar?

Sds,