24 abril 2007

O signatário deste blog na VEJA

Tive a honra de mais uma vez ter meu nome e comentário na seção Cartas da revista VEJA desta semana. Quem quiser conferir está na página 34, Edição 2005, de 25 de abril de 2007. O comentário refere-se a matéria do semanário que reproduzo a seguir:

Pode ser azul

"Ainda não é a boa notícia que o Brasil gostaria de ouvir, mas já começa a se ver uma luz no fim do túnel de um problema que tem contribuído para emperrar o país. Cinco estados brasileiros conseguiram domar o monstro do rombo previdenciário. Um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apontou que Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Goiás e Amazonas adotaram práticas que tiraram as contas do vermelho. O esforço valeu a pena. Juntos, eles registraram um superávit de 1,7 bilhão de reais em 2006, pelos cálculos do Núcleo Atuarial de Previdência (NAP) da UFRJ, responsável pelo estudo. Nas demais unidades da federação, foi bem diferente: o rombo, somado, chega a 400 bilhões de reais. A fórmula só não é mágica porque não pode ser integralmente aplicada à Previdência Social. As medidas bem-sucedidas se referem a servidores públicos – sejam eles estaduais, federais ou municipais – inscritos em regime previdenciário diferente do aplicado a trabalhadores da iniciativa privada. Mas já é um começo.

Em Goiás, por exemplo, o instituto de previdência estadual (Ipasgo) apostou no combate às fraudes e evitou um prejuízo de meio bilhão de reais desde 2001. Descobriu golpes como o de uma família com duas irmãs idosas, uma delas com direito a pensão de 3.000 reais. Quando a pensionista morreu, os parentes usaram os dados da outra irmã para emitir a certidão de óbito e transferiram para ela a documentação da morta. Ou seja, "mataram" a que estava viva e "ressuscitaram" a que havia morrido, mantendo assim o benefício ativo. Os técnicos do órgão detectaram o crescimento de uma forma mais sutil de golpe: o "casamento previdenciário". São casos como o de um senhor de 83 anos que se casou com uma moça de 23 e morreu seis meses depois, deixando para ela uma pensão de 22.000 reais. "Descobrimos que ele tinha câncer terminal quando se casou e que a moça morava com o filho do aposentado", diz Jesus Barbosa de Souza, diretor do Ipasgo. Já o Espírito Santo passou a fazer o recadastramento dos segurados a cada dois anos (uma medida óbvia, mas que não era realizada) e criou um fundo previdenciário que está se capitalizando para pagar os benefícios. O fundo é alimentado com recursos disponíveis na administração estadual na forma de terrenos, imóveis desocupados e títulos da dívida ativa. Com isso, o estado encerrou 2006 com um resultado positivo de 7,1 milhões de reais. Minas Gerais optou por um modelo semelhante de fundo de capitalização para pagar as aposentadorias e obteve um superávit de 126,9 milhões de reais.

No âmbito federal, o cenário não é animador. Pela forma como vem sendo conduzida, a reforma da Previdência parece figurar no rol das idéias paralisantes, aquela praga das falsas unanimidades que embotam o pensamento e, por tabela, a vida das nações e dos indivíduos. Refém de clichês como "assunto árido para a sociedade" ou "tema impopular para políticos", a reforma simplesmente estacou. Enquanto isso, o país convive com um rombo que, no ano passado, consumiu 42 bilhões de reais do Tesouro Nacional, um dos fatores de desequilíbrio nas contas públicas. Um descalabro que fez a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) classificar a reforma como "inevitável nos anos vindouros", numa cartilha com recomendações para destravar o Brasil. O que emperra a Previdência não são apenas seus problemas estruturais – como o insustentável modelo de repartição, em que as novas gerações pagam pela aposentadoria das antigas. Deficiências de gestão também contribuem para sua caótica situação. Os estados estão mostrando que é possível melhorar uma área essencial à boa saúde das contas públicas. A boa gestão, como se vê, pode trazer bons resultados e ajudar a romper o marasmo que envolve a discussão da reforma da Previdência. "

Revista Veja - Edição 2004 de 18 de abril de 2007

Agora é com você, estimado leitor, o que achou das medidas tomadas pelos governos dos estados citados? Elas cabem ao âmbito federal?

10 comentários:

jr.guaiba disse...

Grande Patrick fico também feliz por vc cara, parab´nes

junior guaíba

anti*direita disse...

vc entao quer o lugar do mainardi? voto em vc aquele cara nao tem compromisso com a verdade

Saramar disse...

Ora, Patrick, que maravilha!
Meus parabéns. Claro que foi merecido, mais que natural porque seu texto é perfeito (aliás, qual não é).
Eu vi a carta lá na revista, especialmente porque se referiu ao meu estado (Goiás), sem prestar atenção no remetente (que horror!).
Isso me serviu de lição, sempre irei prestar muita atenção, de agora em diante.

Quanto à previdência, você demonstrou muito bem que o que falta é qualidade na gestão e interesse das autoridades. Mas a isso já estamos acostumados. Estas só agem sob pressão.

Parabéns novamente.

beijos

Rafael_canella disse...

Por isso que a quase um ano estou por aqui. Muito boa a matéria e mais oportuno ainda foi seu comentário. Pensei que não fosse citá-lo aqui no blog, mostrei a minha esposa. eu já havia falado do seu blog pra ela. Parabéns!

Ricardo Rayol disse...

Muito maneiro Patrick, mas se acabarem com o rombo da previdência onde irão arrumar a grana para azeitar as maracutais?

claudionorsiqueira@gmail.com disse...

Nossa cara você é mesmo responsa. Não bastasse estar na VEJA seu comentário ainda é muito preciso.

DANIEL PEARL disse...

Patrick Gleber,

Há muito tempo divulgo seu endereço de link no blog DESABAFO PAÍS(BRASIL), nossos blogs tem a mesma finalidade e comunhão. Gostaria que retribuísse (já que vc não publicou ainda) e divulgasse o nosso endereço na sua lista de link: http://desabafopais.blogspot.com

Fazemos um jornalismo independente, corajoso, enfrentando a Mídia Golpista e que já atigiu quase 170 mil acessos.

Agradeço sua atenção,
DANIEL PEARL - editor

Santa disse...

Parabéns Patrick, se publicaram o teu comentário, entre tantos que a revista recebe, é porque acharam que acrescentaria a matéria.

Bjs

Anônimo disse...

Rapaz eu toda semana mando um penca de comentarios para a veja e eles nunca publicaram nada. Sorte sua! parabens

Ricardo Rayol disse...

Tem blogagem coletiva. Veja lá em casa.