07 maio 2007

"Meu nome é Éneas"

Morreu neste domingo em São Paulo o deputado federal Enéas Carneiro (PR-SP). Éneas tinha 68 anos e sofria de leucemia. Ele ficou nacionalmente conhecido na eleição de 1989, quando concorreu pela primeira vez à Presidência. Com poucos segundos de propaganda gratuita na televisão, ele chamou a atenção com o bordão “meu nome é Enéas”. O fundador do extinto Prona (Partido da Reedificação da Ordem Nacional) disputou ainda a presidência em 1994 – quando ficou em terceiro lugar, com 7% dos votos, à frente de políticos tradicionais como Leonel Brizola (PDT) e Orestes Quercia (PMDB) –, e 1998. Em 2002, Enéas foi eleito deputado feredal por São Paulo com votação recorde. No ano passado, reelegeu-se novamente para a Câmara com uma votação um pouco mais modesta. Nascido em Rio Branco, no Acre, Enéas teve que trabalhar desde os nove anos de idade, quando ficou órfão. Aos 27 anos formou-se em Medicina na Escola de Medicina do Rio de Janeiro da Universidade Federal do estado. Especializou-se em Cardiologia. Seus artigos publicados faziam tanto sucesso que eram chamados de "A Bíblia do Enéas".

Em 1989, na volta da democracia, fundou o Prona e logo se candidatou pela primeira vez à presidência da república.Suas aparições no horário político da televisão ficaram famosas. Com óculos grandes, calvo, a barba farta e ao som a Quinta Sinfonia de Beethoven como trilha sonora, ele falava suas propostas consideradas polêmicas como a construção da bomba atômica brasileira, ampliação do efetivo das Forças Armadas e totalmente contra o aborto e o casamento de homossexuais. "Cinqüenta e seis", também ficou famosa a legenda do Prona, dita pelo seu fundador em rede nacional. No ano passado, quando apareceu na TV sem barba, Enéas surpreendeu o país. Complicações com uma crise de leucemia e um quadro de pneumonia fizeram-no perder os pêlos do rosto mas não seu ideário político.

Um comentário:

Saramar disse...

Patrick, confesso que, apesar de não simpatir nem um pouco com ele, pelo radicalismo,fiquei triste por ter findando quase no esquecimento.