24 maio 2007

O absurdo chamado: autonomia das universidades

O motim promovido pelos alunos da USP na sede da reitoria da universidade levantou a discussão sobre algo que eu sou contra desde de que tomei conhecimento que ela existia, a tal da autonomia para universidades. Sou contra, sim, para ser coerente com o que penso. Vou mudar um pouco de assunto para poder completar meu raciocínio. O governo federal quer controlar as atividades das emissoras de TV através de um mecanismo que eles chamam de classificação indicativa, mas que eu chamo de censura. Vejam, o governo federal interfere na nossa liberdade de ver e não ver o que quisermos. Já as universidade, que são públicas, podem fazer o que quiser com o nosso dinheiro e ninguém, ninguém, poderá reclamar porque ninguém, ninguém, vai saber o que elas fizeram. Autonomia para a Universidade significa esconder onde estão gastando nosso dinheiro. Minha longa convivência universitária me mostrou que, onde não há transparência, há desvios, desperdício, autoritarismo no uso do dinheiro público. E por isso fico cabreiro com essa greve na USP.

Quando leio professores e alunos dizendo que é uma afronta à autonomia universitária a exigência de divulgar onde a Universidade está gastando o dinheiro público , só me vem uma pergunta à cabeça: que será que eles estão fazendo com essa autonomia, a ponto de ela não resistir a uma olhada da patuléia?

Será que os mesmo que defendem a autonomia, e aí incluo professores e alunos, defendem também a autonomia para outros órgãos como o Judiciário ou o Banco Central.

Venho refletindo nesse tema autonomia universitário não apenas pelo motim dos alunos da USP. A cerca de um mês atrás a região onde moro (interior da Paraíba) serviu de palco para o reitor da Universidade Federal de Campina Grande. O nome da figura: Thompson Mariz. Pois bem, sob a alegativa de interiorizar o ensino o reitor resolveu criar outro curso de medicina para a UFCG (já existe um na sede da universidade em Campina Grande). A cidade escolhida pelo reitor: Cajazeiras (minha cidade). Deu-se então, a partir daí, a transformação da educação em disputa político. Isso porque os prefeitos da cidade de Sousa e Patos resolveram entrar na disputa e reinvindicavam a ida do curso para sua respectivas cidades. Aí começou o espetáculo. Diante da disputa o reitor "homem democrático" que é resolveu criar uma comissão independente composta por professoras de universades públicas dos estados do Piauí, Rio Grande do Norte e do Paraná para avaliarem as condições das três cidades para receberem o curso. A avalição dessa comissão seria respeitada e onde ela recomendasse o curso seria instalado. Para encurtar a história, que já está ficando longa demais, a comissão recomendou a cidade de Patos. À revelia do que tinha prometido antes o reitor fez valer apenas sua vontade inicial, implantar o curso na cidade de Cajazeiras. Entenderam? Fez-se todo um teatro para no final uma canetada resolver tudo. Isso tudo só foi possível, segundo o reitor, porque a universidade possui AUTONOMIA.

É um grande absurdo! Sou rigorosamente contra absolutizar a autonomia da universidade em regimes democráticos. Querer que o Estado não possa nem deva se meter na maneira como as universidades federais gastam os recursos a elas destinados é uma bandeira profundamente reacionária. O dinheiro que paga os salários dos professores e funcionários das universidades vem dos impostos. É reacionário tentar impedir que o Estado tenha algum controle sobre as despesas nas universidades públicas. A não ser que você seja dos que só aceitam o resultado de uma eleição quando o seu candidato ganha. Nesse caso, penso que a nossa divergência é mais profunda. Eu diria que ela é quase intransponível.

2 comentários:

Escorpiana Explosiva disse...

ótimo texto passei só pra deixar um bjo

Ricardo Rayol disse...

Patrick, muito pertinente teu post. Isso de esconder os gastos é bem bizarro e me remete à UFSC onde existem muitas e muitas falcatruas e marcutaias.