20 junho 2007

Se Renan não cai, a Casa cai!

Que certezas temos depois das últimas revelações e acontecimentos do caso Renan Calheiros? Muitas. Depois do espetáculo vexaminoso promovido pelos asseclas do presidente do Senado no Conselho de Ética fica evidente que este já não tem mais como absolvê-lo, dando por findos hoje mesmo os trâmites do simulacro de processo aberto contra ele, a contragosto, por quebra de decoro parlamentar.

Ademais, Renan já perdeu, há tempos, a condição moral de exercer uma função tão importante como a presidência do Senado. Mas o que o sustenta na função? Ora, sua habilidade política. Habilidade essa que faz com que a maioria dos senadores estejam abertamente do seu lado, apesar de tudo.

Há um grande risco na permanência de Renan no comando da Casa, que é o de desmoralizar, ainda mais, a imagem do Congresso Nacional perante a opinião pública. Ou vão me dizer que ninguém lembra dos mensaleiros e replicado no escândalo dos sanguessugas igualmente impunes. Até aqueles aliados de Calheiros, que podem ser o que se queira menos surdos à voz das ruas, perceberam que o clima de desgosto provocado pela revelação de que o lobista de uma empreiteira pagava em dinheiro vivo os compromissos do senador com a sua ex-amante se metamorfoseou em repulsa generalizada à operação-abafa posta em marcha sob o seu comando pessoal para inocentá-lo a qualquer preço.

O senador tentou reduzir o caso a questão de alçada íntima, o que é desde sempre uma séria suspeita de promiscuidade, entre o presidente do Congresso e Cláudio Gontijo, o agente de uma empresa de construção pesada que, precisamente por isso, vive de fazer negócios com o poder público. A sociedade viu também, na mesma ocasião, a fragilidade das evidências que ele exibiu para assegurar que pagara do próprio bolso, embora por interposta pessoa, os valores destinados à mãe da filha cuja paternidade havia assumido.

A tentativa de impingir a fábula de que ele era vítima de uma tentativa de chantagem saiu pela culatra. Ao mesmo tempo, divulgou-se que a própria perícia ligeira da Polícia Federal nos papéis que atestariam a lisura dos negócios pecuários do senador apurou que as datas das transações não batiam com as dos créditos nas suas contas bancárias. Afundando-o cada vez mais, a imprensa descobriu significativas omissões nas suas declarações de Imposto de Renda, significativos lucros declarados com criação de gado, acima da média nacional, e significativos saltos patrimoniais - a compra de três fazendas e a formação de um rebanho de mais de mil cabeças em meros dois anos. Verdade seja dita, tudo leva a crer que, se de fato provinham de Calheiros os valores dos quais o seu amigo lobista seria mero repassador, se tratava de “recursos não contabilizados”.

Por tudo isso, acho que a melhor saída para Renan e para a Casa seria sua renúncia. Não ao mandato, sei que isso seria impossível, mas a cadeira da presidência do Senado. Em tese Renan até teria mais tempo para preparar sua defesa. Defender-se de uma vez e em uma única vez. Ninguém agüenta mais ele passar a semana explicando e no fim de semana os veículos de comunicação trazerem uma nova informação sobre o caso. Isso é o que penso!

6 comentários:

CAntonio disse...

Caro Patrick,

Não sei se por falta de informação ou pura burrice mesmo, mas o Renan não pode mais renunciar. Mas não creio, que se for dada continuidade às investigações, que Renan seja cassado. Também não acredito que "a casa caia". Há muito a sociedade está anestesiada. Não existe uma articulação para um mega protesto. Não existe a disposição de nenhum grande órgão de imprensa em comprar a briga. A imparcialidade da imprensa, passa antes pelo departamento comercial. Se dependermos da publicidade governamental...Lula e todos os seus asseclas continuarão ad eternun.

INFELIZMENTE, Reman não cairá; falta-lhe a disposição do Zé Dirceu em ficar longe do Congresso, do poder.

SDS.

Tiago Albineli Motta disse...

Pedro Simon, foi dos poucos sensatos que teve a coragem de pedir a renuncia de Calheiros na presidencia do Senado. Eu pediria mais, a renuncia do cargo. Mas como o processo já está aberto, ele não pode mais renunciar. Resta-nos torcer para que seja cassado.

shirlei horta disse...

Sei não, sei não. Escândalos já fazem parte da paisagem. Não sei nem se tem importância o desfecho desse caso.(Teve para José Dirceu? Para os mensaleiros? Para Severino Cavalcanti?).
Precisamos de oposição, real, propositiva, com atitudes.
Infelizmente, os escândalos se sucedem sem interferir um milímetro na condução político-administrativa nacional.

Fábio Max Marschner Mayer disse...

Ouvi um comentário segundo o qual a chantagem rola solta em Brasília e que caindo um grande como Renan, muitos casos extraconjugais serão postos à exposição pública... sem contar os casos mais graves, extra-morais, de corrupção da grossa.

Não vivo lá na terra do nunca, mas pelo jeito, õ capitão gancho tá distribuindo ganchadas por todo o lado!

Lauro Bonfim disse...

Patrick, parabéns pelo blog, está muito bom. Quanto a Renan e similares, acho que o único jeito para o Brasil seria começar tudo de novo. Infelizmente a "lei de Gérson" predomina nas cabeças do povo, em todas as camadas, desde os mendigos até os milionários.

maristela bairros disse...

Patrick. Lembro dos tempos em que surgiu o MDB, da alegria da gente, que tinha feito faculdade sob o medo constante, com esta luzinha que se acendia. O tempo passou, os pioneiros se foram ou se bandearam e nos restam, num partido que começou como um Movimento, laranjas podres na cesta, que, como se sabe, se não forem retiradas, contaminam o resto.
Calheiros, se tiver ainda um pingo de dignidade, renuncia. E ponto.
abraços
maristela