25 junho 2007

Senadores sem votos - hora de acabar


Atualizado às 22:02h de 26 de Junho. Motivo: Sibá Machado, senador sem voto e sem vergonha, presidente do Conselho de Ética, renunciou ao cargo em mais uma tentativa de empurrar o caso para o esquecimento. No que depender de mim isso não acontecerá. Quero Renan fora da cadeira de presidente do Senado. Pelo decoro, senadores!

A chanchada em que se transformou o processo contra Renan Calheiros no Conselho de Ética do Senado fez com que um de seus principais atores e um coadjuvante saíssem da obscuridade política. Os dois fazem praticamente os mesmo papéis e tem a mesma origem. Já explico. O primeiro é o presidente do Conselho, Sibá Machado (PT-AC). O segundo, Wellington Salgado (PMDB-MG), foi nomeado relator do processo no lugar de Epitácio Cafeteira (que deixou o elenco alegando problemas de saúde - acreditem!)


Eis o que eu queria dizer: Sibá e Wellington não conquistaram um voto sequer. Nenhum! São suplentes de senadores. Suplentes dos ministros Marina Silva e Hélio Costa, respectivamente. Exercem mandatos na atual sessão legislativa como substitutos dos titulares eleitos no pleito majoritário de 2002, mas que migraram para o Executivo.



Mas os exemplos não páram por aí. Ainda existem outros seis senadores beneficiados pelo chamado "voto cego". Explico: quando votamos em um senador X automaticamente este votos migram para seus dois suplentes. Mas você pode alegar que não sabia disso. Então faça o seguinte, leitor amigo, pegue aquele santinho guardado no fundo da gaveta. Observe, nele deve existem, em letras bem pequenas, os nomes dos tais suplentes.



Qual seria então os critérios para a nomeação dos suplentes? Geralmente são eles os financiadores das campanhas dos respectivos titulares. Há casos, pasmes!, que candidatos que firmam acordos com seus suplentes endinheirados para divisão do tempo de mandato.

Não bastasse isso senadores sem votos são elevados a posições estratégicas no Conselho de Ética, um colegiado que deveria ser formado por senadores diretamente referendados nas urnas. E que tivessem "idoneidade moral e reputação ilibada" - um dos requisitos exigidos pela Constituição para os ministros do Tribunal de Contas da União, instituição que exerce, em nome do Congresso, a fiscalização contábil, financeira e orçamentária da União.



É chegada a hora de uma reforma política que tenha um mínimo de seriedade e que não deixe de enfrentar a questão dos candidatos às suplências dos senadores. Não faz sentido que este mecanismo continue existindo.

14 comentários:

Silvio Torres disse...

Este blog está cada vez melhor. Abandando temas de real relevância.

Silvio Torres

Fábio Max Marschner Mayer disse...

Pois é,

Em qualquer país CIVILIZADO, quando vaga uma cadeira no parlamento, faz-se eleição complementar.

Aqui, assume um suplente vindo sabe Deus de onde, não é?

jaimecintra disse...

é isso! Não tiro uma virgula do que voc~e bem escreveu patrck

felicidades

Anônimo disse...

Patrick você está de parabéns. Primeiro pela abordagem ao caso do militar brasileiro. Depois pela discussão sobre o aumento para os comissionados. Agora por esse belo texto.

Costajr disse...

Senador sem voto, sem moral, sem vergonha na cara, eis a nossa Câmara Alta. Parabéns pelo blog e obrigado pela visita.

Anônimo disse...

Otima iniciativa

Gusmão

CAntonio disse...

Pior,

O Wellington Salgado (parece o Schrek sem maquiagem) nem mora em Minas Gerais.

Só é senador porque financiou a campanha de outro grande sem vergonha "global". Comprou a vaga.

SDS

maristela bairros disse...

Patrick: já notou que a profissão mais valorizada no Brasil, hoje, é a de para-quedista? Não tem melhor: é só ficar quietinho, num canto escuro, esperando a hora de saltar. E sem risco de cair no vácuo, com uma feliz aterrissagem. Eleição suplementar já! Pode lançar a campanha que eu ajudo a espalhar.
abração
maristela

Jorge Sobesta disse...

Patrick,

Eu li uma frase no site do Andre Dhamer www.malvados.com que explica esse fenômeno : "Um povo bunda elege seus representantes nas coxas", hehe.

Grande abraço.

Anônimo disse...

Perfeito velho!

Hugo

mesquistajr disse...

Patrick, quem não lembro do "ético" Renan pedindo a renúncia de seu comparsa Collor? Parece piada não é mesmo? Sai daí Renan, saí!

Anônimo disse...

A VEJA DESTA SEMANA ESTÁ INSUPERÁVEL. ELE DIZ QUE A IMPRENSA BATE EM UMA TECLA SÓ. MAS A REALIDADE É BEM DIFERENTE. OU ENTAO ESTAMOS TODOS LOUCOS

PAULO ALVES DE MIRANDA
BRASILEIRO DE VERDADE

Moita disse...

Patrick

Suplente é, na verdade, um vice.
Analisemos, portanto, os verbos de ação que direcionam cada cargo.

O Presidente...preside.
O Governador...governa.
E o Vice...viceja.
rss.

abraços

Walter Carrilho disse...

Ser suplente é um baita negócio. Com tanto deputado e senador renunciando, é só uma questão de tempo para um suplente se arranjar.