16 julho 2007

Uuuuuuuuhhhhhh!!!!!

Lula é o presidente, foi reeleito com folga e se disputasse a eleição hoje provavelmente obteria o mesmo resultado. Mas não passa pelo teste do estádio lotado. É uma demonstração da enorme diferença entre a aprovação e a idolatria, o apoio e a militância.

Foi constrangedor. Um verdadeiro mico. Lula preparou-se por meses para saborear uma recepção de herói na abertura dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro. Liberou dinheiro a rodo para as obras, inaugurou todo tipo de instalações esportivas, bateu pênalti no Maracanã, desfilou com o uniforme da delegação. Quando chegou a hora, diante do estádio lotado, foi vaiado nada menos que seis vezes. Para piorar, uma mistura de trapalhada política com erro do cerimonial fez com que o presidente desistisse de fazer a declaração oficial de abertura dos jogos, mas ninguém avisou o pessoal que cuidava da transmissão da TV. O resultado foi a imagem de um Lula parado em frente ao microfone, com o discurso nas mãos, enquanto o presidente do Comitê Olímpico fazia as honras. Mas pior que tudo isso foi a reação do presidente às vaias. Lula não apenas ficou emburrado, mas deixou a frustração transparecer. Com isso, aumentou o tom do episódio e deu munição a seus adversários. Na próxima vez em que aparecer em público fora dos ambientes controlados das cerimônias de inauguração ou visitas oficiais, corre o risco de ouvir o mesmo som desagradável. Afinal, seus adversários sabem que ele se importa.
Um líder não tem o direito de ficar emburrado. Ao menos, não publicamente. Esse é um sinal de vulnerabilidade e quando o motivo da raiva é uma vaia emanada das arquibancadas de um estádio de futebol ganha outro componente desconfortável. Sugere desagrado com manifestações populares, próprias da democracia.

A gafe fez lembra Nelson Rodrigues, que dizia “o Maracanã vaia até minuto de silêncio”. Faz sentido, especialmente em um momento no qual os políticos estão mal-avaliados pela opinião pública.

Parte da explicação está na composição da torcida, com certeza. A platéia era de classe média e as pesquisas mostram que ainda existe entre os brasileiros não pobres um forte resquício da rejeição a Lula que marcou as eleições de 2006. Essa rejeição é mais forte na classe média do Sul e Sudeste e dos grandes centros. Lula estava jogando em estádio adversário, por assim dizer. Mesmo assim, seis vaias é muito. Tem juiz de futebol que ouve menos apupos.

É provável que a vaia seja motivada por uma combinação de todas essas explicações. Misturada a uma saudável iconoclastia brasileira. Lula é o presidente, foi reeleito com folga e se disputasse a eleição hoje provavelmente obteria o mesmo resultado. Mas não passa pelo teste do estádio lotado. É uma demonstração da enorme diferença entre a aprovação e a idolatria, o apoio e a militância. Esse distanciamento é bom para a democracia. Mesmo que irrite os ouvidos do presidente.

7 comentários:

Fábio Max Marschner Mayer disse...

Sinceramente, acho que foi má educação do público, porque quem estava ali, na tribuna de honra, era o representante da república brasileira, o presidente.

Confundir o presidente com o político Lula, foi muito feio, porque aquilo era um evento internacional e os telespectadores do resto do mundo não tem nada com nossos problemas internos.

O público ainda confundiu os atletas venezuelanos e bolivianos, com os governantes estúpidos destes países.

Foi muito feio, eu não lembro de um evento em outro lugar do mundo, onde tenha se vaiado o chefe de estado do país organizador, por mais impopular que ele fosse.

Jorge Sobesta disse...

Patrick,

embora as pesquisas encomendadas estejam apontando para outra direção , é o povo que está dizendo, ou seja, vaiando.

Grande abraço.

Gonçalves disse...

Sabe de uma coisa. Tô lixando muito prá aprovação que vem lá dos morros, das favelas, das palafitas, dos albergues, das vielas, dos viadutos, dos presídios.... Se ele gostou ou não das vaias isso é problema delle e dos sucias ao seu redor. Dá próxima vez ele que manda arreganhar os portões só para a sua claque ou então que ressuscite o Vila Euclides em SBC, o ponto de encontro dos cumpanheros pelegos. O que importa neste momento é que o maraca lotado deu a resposta que eu aqui de São Paulo e muitos outros brasileiros ainda não tiveram a opotunidade de "a uma só voz" dizer: PRESIMENTE, OCÊ É RIDÍCULO, CAI FOOORAAAAA. Uuuuuuuuhhhhhhh!!!!!

ROÇA COISA É OUTRA LIMPA disse...

O pior da história toda é que elew ficou apenas triste, magoado.Sequer pensa numa autoavaliação.

Ricardo Rayol disse...

vaiaram porque tinham que mostrar a indignação de uma classe que carrega o piano. Qialquer outra desculpa é mera bizarrice inventada.

maristela bairros disse...

V AMOS REAGIR!!!!
Somos um povo de ovelhas.
Nos roubam.
Nos matam.
Não fazemos nada.
Só assistimos.
Que tipo de povo somos nós, que nos contentamos com bolsa família e choro de um presidente vaiado? Gabinete da crise: para quê? Dar as condolências.
Que Deus tenha pena de nós.
MARISTELA

garrafa e mar disse...

tudo bem ... mas foi tanto dinheiro pro PAN, q fica dificil acreditar q Lula seja prejudicado. mas sem dúvida: a sua opularidade entra em nova fase. e agora?