21 agosto 2007

Nosso Congresso se supera!

Aos amigos primeiramente peço desculpas pelo longo tempo afastado do blog. Estive comprometidos em alguns assuntos pessoais o que me fez ficar longe do blog. No entanto estou de volta. Antes: CAntônio, não fui seqüestrado pelos petralhas (pelo menos ainda, hehe). Mas vamos em frente. Estive fora mas nem por isso o Brasil parou. Muita água rolou por baixo da ponte e muita M... também. Inclusive esta, que comentarei, sobre a famigerada fidelidade partidária. A História brasileira é repleta de grandes momentos de afirmação republicana, mas também se constitui numa vasta passarela por onde, em períodos mais longos ou mais curtos, costumam desfilar a podridão, o arrivismo, a irresponsabilidade, a falta de compromisso com o futuro, quase sempre tendo como pano de fundo o compadrio vergonhoso e deprimente entre Poderes constituídos, e muito em particular entre Executivo e Legislativo.

O último dejeto expelido por um duto do governo e de sua base de sustentação no Congresso Nacional foi a aprovação pela Câmara dos Deputados da chamada lei da fidelidade partidária (Proposta de Lei Complementar 35), permitindo que parlamentares possam desligar-se de seus partidos no último mês que antecede o prazo de um ano das eleições, sem o risco de perda de mandato. É a infidelidade anunciada para um previamente determinado mês de setembro, em que tudo será permitido no troca-troca partidário, tempo da locupletação, da esbórnia, da imoralidade. É algo semelhante a mulher traída liberar seu marido infiel por um mês para que este deite e role na boçalidade.

A decisão da maioria da Câmara confronta a ética, o bom senso, agride frontalmente a autonomia partidária e fere gravemente a democracia. Os representantes políticos na Casa, que deveriam olhar com mais atenção para os partidos, resolveram apunhalá-los. E os apunhalaram evidenciando uma nítida vassalagem ao governo federal.

Legislativo para quê? Temo que essa seja a pergunta que, nos sonhos dos áulicos de plantão, venha a povoar a cabeça de todos os brasileiros, com uma resposta que eles tratam de tornar cada vez mais previsível. Com políticos emporcalhados por práticas que repugnam a cidadania, fica fácil para o presidente defender a Assembléia Constituinte exclusiva, aquela que ficaria bem longe da pocilga, formada por pessoas decentes, que tomariam conta do lugar no processo legiferante. Sem nenhuma vocação para lidar com a crítica, Lula prefere que o País prescinda do contraditório.

7 comentários:

CAntonio disse...

Ufa!

Terei que devolver o resgate que já tinha "angariado" com a comunidade "blogueira" (10% é comissão pelo trabalho, é claro)

Caro Patrick,

Suas palavras:

"Legislativo para quê? Temo que essa seja a pergunta que, nos sonhos dos áulicos de plantão, venha a povoar a cabeça de todos os brasileiros, com uma resposta que eles tratam de tornar cada vez mais previsível" É exatamente o que estão pensando os Srs. donos do poder e, com toda a razão devem estar planejando uma Venezuelada.

É muio triste vermos o rumo que o Brasil está tomando.

Te cuida com os petralhas.


SDS.

Jorge Sobesta disse...

Patrick,

Sabe como é, o congresso como casa de burlesco não pode exigir de seus integrantes uma postura que não outra senão a de uma prostituta, no que tange a fidelidade, claro, pois as profissionais do prazer superam de longe a súcia parlamentar no que diz respeito a dignidade.

Grande abraço.

Jorge Sobesta disse...

Patrick,

Comentei seu postlá no blogdopatrick.blogspot.com. Não sei se é o mesmo endereço eletrônico deste aqui.
Qualquer coisa me avise.

Grande abraço.

Fábio Mayer disse...

E ainda chamam de "reforma"?

Reformar tem uma conotação de revisar e renovar. Seria de renovar costumes políticos, mas estes ficaram inalterados com essa palhaçada.

E os senhores parlamentares continuam se locupletando disso, com suas campanhas financiadas de modo no mínimo estranho, pulando de partido em partido conforme a conveniência de momento.

Eduardo Andrade disse...

Caro Patrik,
Tenho escrito sobre os políticos brasileiros, como forma de extravasar o que vejo e ouço no noticiário. Interessa-me as questões políticas porque interferem no dia a dia do povo.
Quando a "Fidelidade Partidária" eu não acredito em nada que venha daquela casa que diz representar o povo. No fundo ela só representa os que nela habitam.
Gosto do seu blog!
Um abraço e Boa Sorte!

Ricardo Rayol disse...

Só uma entre muitas das putarias que rolam por aí.

tunico disse...

concordo com o Ricardo. Putaria neste governo é o que não falta.