21 setembro 2007

Dinheiro jogado no ralo

Clique aqui. Você será direcionado para a página do Tribunal de Contas da União. Você lerá a notícia divulgada por esse Tribunal na última quarta-feira. Leiam a notícia. Destrinche os números. Escandalize-se. Revolte-se. Isso é o que estão fazendo com o nosso dinheiro.

Quando 77% das obras federais em andamento apresentam algum tipo de irregularidade, alguma coisa vai muito mal na administração pública. O relatório divulgado pelo TCU é mais do que um alerta. É um brado pela fiscalização eficiente do dinheiro público que sai do bolso dos contribuintes atolados em contribuições, taxas, impostos e tributos os mais variados que levam, de cada um, quase 35% do que ganham.

Os ralos que fazem desaparecer as verbas afetam 29 projetos incluídos no Plano de Aceleração do Crescimento, um calhamaço de promessas o qual o presidente Lula pretende deixar como símbolo de seu segundo mandato. Na imprensa o presidente do tribunal, Walton Alencar, advertiu que os ministérios, responsáveis pelos repasses de recursos para prefeituras e Estados, "não têm acompanhado com eficiência" a aplicação dos reais destinados às obras. Muitos prefeitos, observou, simplesmente embolsam o dinheiro ou utilizam para outras finalidades sem dar satisfações, serem cobrados ou punidos pelos desvios.

A desfaçatez é tamanha que o TCU decidiu bloquear R$ 23 bilhões das verbas já liberadas, por falhas graves. O prejuízo total até agora soma R$ 5 bilhões. Entre 231 obras auditadas, 77 estão mergulhadas em fraudes vergonhosas. Outras 101 apresentam falhas contratuais ou de execução. As maracutaias atingem 18 pequenas e grandes empreiteiras - como a Gautama, de Zuleido Veras, empresário que ganhou liberdade na Justiça depois de flagrado na Operação Navalha da Polícia Federal. Sua empresa é a líder em irregularidades. Os repasses suspensos, no conjunto, atingem 10 unidades da Federação, especialmente Paraná, Espírito Santo, Minas Gerais, Piauí, Rio Grande do Norte e Rondônia.

O principal foco dos desvios tem endereço certo - o Ministério dos Transportes - e envolvem o recapeamento de rodovias. O ministro Walton Alencar sugere o acompanhamento em tempo real da gestão dos recursos para impedir e evitar os excessos. Para se ter idéia da perda, apenas no segundo trimestre foram desviados ou mal aplicados R$ 800 milhões. No mesmo período, 2 mil prefeitos ou outras autoridades foram condenados a devolver vultosas somas extraviadas.

A sensação da impunidade alimenta as fraudes e funciona como fermento para a ambição dos administradores públicos. O embargo das obras, a suspensão dos repasses, a punição dos responsáveis e o rigor adotado pelo TCU nas auditorias possibilitaram, até hoje, uma economia de R$ 1 bilhão aos cofres públicos.

Se as informações são alarmantes, indicam ao governo que seguramente há salvação. Desde o início do ano, 52 projetos passaram incólumes pela vistoria dos fiscais do tribunal. Obedeceram às cláusulas contratuais e já têm o aval para futuros repasses. Se o número é pequeno diante do tamanho do rombo, revela, contudo, que é possível, sim, aplicar bem as verbas públicas. Indicam o caminho a seguir para consertar os erros das mais de 200 obras sob suspeição. Os projetos flagrados podem ser corrigidos até dezembro. Planilhas de custos devem ser refeitas. Gastos precisam ser comprovados. O dinheiro público tem dono. E as obras são do povo.

9 comentários:

Mário disse...

Pois é, Patrick. Fazem dessas porque se trata do nosso dinheiro e não do dinheiro da carteira deles. Bom final de semana, meu amigo.

rafael_canella disse...

Maravilha de texto patrick

vc estava faznedo falta


rafael

maristela disse...

pois é, nem dá mais para arrancar os cabelos porque não vai ter dinheiro pra peruca ou implante.
vou te contar.
mas vim também te desejar um belo começo de primavera, patrick.

tita_coelho disse...

Ótima lembrança...obras públicas irregulares e segue a "cartilha"! Quando eu falo que estes políticos vivem em outro mundo, tem gente que questiona...mas é a pura verdade! É como se o dinheiro fosse "gerado" em árvore... Li um post, acho que foi no blog do João Bosco que fazia referência às estradas fantasmas do Brasil...é hoje temos estradas fantasmas

Ricardo Rayol disse...

Não sei por que a surpresa, quando anunciou o grande plano de tapar buracos estava na cara que era para financiar a campanha de amigos e aliados. O que me deixou de cara foi ver a Dilma indignada com o relatório ao i nves de ir atrás dos culpados.

tunico disse...

Dinheiro no ralo é suave. É dinheiro jogado na privada, Patrick. E que vai para o esgoto comunitário em que os políticos brasileiros criaram, infelizmente com a anuência da maioria dos eleitores.

Santa disse...

Patrick

Pois é. Vamos trocar o jargão nuncanteznestepaiz para "semprenestegoverno".

Bjs

Fábio Mayer disse...

Isso aí não vem de hoje, é reflexo de uma política administrativa equivocada, pela qual temos um Estado amador, administrado por ocupantes de cargos em comissão, que ditam regras para o pessoal fixo que por sua vez, não consegue aplicar tecnica alguma num contexto de excessiva pressão política.

Solução? Só uma: PROFISSIONALIZAR O ESTADO! Diminuir drasticamente os cargos em comissão, organizar as carreiras públicas e diminuir a quantidade de esferas decisórias.

Sem isso, o quadro só tende a se agravar...

Saramar disse...

Patrick, você tem razão. Há algo de muito errado neste país e se refere à impunidade.
TOdos os mal políticos sabem que só por um azar muito grande deverão prestar contas à justiça pelos desvi ou au uso das verbas públicas.
Devolver??? Jamais.

beijos
P.S. Por onde você anda?