Causou surpresa em muito de nós a notícia do seqüestro ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, semana passada . Mais estranheza ainda se deu pelo fato de ele não ter dado queixa à polícia sobre o seqüestro de que foi vítima em Ibiúna, cidade do interior paulista. Acontece que essa versão começa a ser desmentida. Vamos começar pelo começo. A polêmica do fato foi dada pelo grupo Globo, primeiro por seu jornal, logo em seguida pela emissora de TV. O Globo entrevistou o delegado de Polícia de Ibiúna que informou que ela mesma, a polícia, havia preparado o BO (Boletim de Ocorrência), em virtude de o ministro não ter procurado a delegacia local, e por o caso não ser "usual". Como se seqüestrar ministro fosse usual em qualquer outro lugar.Apenas hoje a assessoria do ministro enviou carta ao jornal explicando o acontecido . Na condição de ministro da Fazenda, Mantega comunicou o seqüestro a mais alta autoridade do estado, o governador José Serra, que acionou seu Secretário de Segurança, que acionou o delegado. Tudo de acordo com os conformes. Em outras palavras o repórter de O Globo errou o caminho da roça. errou e ainda fez com que todos errassem também. Pensa que acabou por aí. Diante da publicação da carta o jornal ainda insiste que não errou. Que a culpa seria da fonte, no caso a Polícia de São Paulo, que prestou informações errada. É impressionante como, nesse caso, o jornalismo Global atuou de forma tão amadora. Pior ainda é a persistência no erro.
O Globo insiste ainda que Guido Mantega deveria ter comunicado imediatamente à Polícia Federal, desconhecendo que apuração de seqüestro é atribuição da Polícia estadual. Continua insistindo que demorou muito para informar às autoridades, ignorando as explicações de que Mantega passou a noite sob a mira dos seqüestradores, isto é, sob profundo stress, foi libertado de manha, como não é de ferro deve ter dormido um pouco e às 14 horas tinha audiência com o presidente da República.
Sou um leitor assídou do O Globo. Gosto muito do seu jornalismo, mas não posso deixar de dizer que o reconhecimento do erro é parte essencial na prática do bom jornalismo, que neste caso deixaram a desejar.








