Quarta-feira, Março 28, 2007

Um novo nome e uma velha prática do Governo

O PFL está mudando de nome. Vai formalizar, hoje, em convenção nacional da legenda, a mudança para Democratas. O deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ), será eleito o novo presidente do partido. O atual presidente da legenda, Jorge Bornhausen, disse que sob o comando de Rodrigo Maia, a legenda vai centralizar a discussão de sete temas principais: direitos humanos, defesa do meio ambiente, emprego, educação, segurança, saúde e habitação.

O partido vai se chamar apenas Democratas (DEM) porque a Lei dos Partidos Políticos em vigor não obriga mais as legendas a conter, obrigatoriamente, a palavra “partido”. José Eduardo Alckmin, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e especialista em direito eleitoral, afirma que a atual legislação “dá total liberdade” aos partidos políticos. E que as legendas podem escolher “siglas mais simpáticas”. O PFL é o primeiro a tomar a iniciativa de dispensar a palavra “partido”, que se tornou obrigatória durante o regime militar para atenuar a popularidade do então MDB. Inicialmente cogitava-se a possibilidade de o partido chamar-se Partido dos Democratas, com legenda PD. Acontece que em alguns países a sigla, PD, significa pederasta, o que não pegaria bem para os partidários.

Bornhausen aproveitou ainda os holofotes da mídia para acusar o governo de estar operando, mais uma vez, um esquema de cooptação de parlamentares semelhante ao mensalão – o susposto pagamento de propinas para manter deputados na base governista. Bornhausen assegura que existem evidências de que métodos parecidos estão sendo utilizados para atrair novos aliados do governo no Congresso Nacional. “Não há indícios, há evidências. Modalidades de atração governamentais estão existindo, como cargos e emendas. Pode se reproduzir o que foi feito no passado”, afirmou Bornhausen nesta segunda-feira.O PFL por, exemplo, elegeu 65 deputados federais em outubro do ano passado. De lá para cá a bancada diminuiu para 58 parlamentares. O oposto acontece com o PR, que começou a legislatura com 23 deputados e atualmente tem 40. O PR quer ter uma bancada de 50 deputados até o final do semestre. O presidente do PFL minimiza os estragos em sua legenda, afirmando que “os cooptados para nós representam uma lipoaspiração; nos livramos dos que estão no mercado de balcão”. O PFL, que cobrou multa de R$ 51.388,00 dos deputados que deixaram o partido, aguarda decisão da Justiça Eleitoral sobre as punições aplicadas.

Percebe-se então que uma mudança de nome, por si, não significa grande coisa. A prática é que vai dizer. Será que passagem do comando de Jorge Bornhausen para um jovem parlamentar, como Rodrigo Maia, sinaliza uma renovação de lideranças ou apenas corresponde a um novo velho?

Quinta-feira, Março 22, 2007

Reinaldão e a "chaga" de Bento XVI

Os que lêem o blog do Reinaldo Azevedo (vejo o rapaz na sua mocidade, ao lado) diariamente, como eu, devem ter percebido a insistência do jornalista sobre o tal "erro de tradução" cometido e sustentado pela imprensa nacional na divulgação da exortação apostólica Sacramentum Caritatis (Sacramento da Caridade) de Bento XVI. A grande celeuma está quando Bento XVI falou que o segundo casamento "é uma praga". Na minha opinião era "praga" mesmo o que ele queria dizer, e não chaga, ou ferida, como interpretaram alguns carolas, embora as duas palavras derivem da mesma raiz no latim, e possam ter os mesmos sinônimos.

E essa discussão não é nova, afinal, foi a própria Igreja quem inventou esse gênero, com debates acalorados sobre quantos anjos caberiam em uma cabeça de alfinete, e, mais importante, se anjos teriam sexo (algo muito relevante para a paz celestial, aliás; o sexo faria enorme diferença, se estivessem muitos deles encostadinhos uns aos outros em algo tão apertado quanto a cabeça de um alfinete).

Toda essa querela é inútil. Ora, os veículos de informação apenas divulgaram uma informação oriunda do site do próprio Vaticano. Até mesmo Reinaldo Azevedo, defenson incondicional de Bento XVI, percebeu isso, como escreveu em seu blog:
"Mas o que interessa mesmo é o que está escrito em latim, a língua eclesiástica, cuja recuperação o papa recomenda. Como se verá abaixo, o papa escreveu “plaga”. Conforme se lê na página 651 do Dicionário Latino Português, de Francisco Torrinha, “plaga” quer dizer “chaga, ferida, lesão”. E só por extensão “golpe, prejuízo, dano, desgraça, desventura, calamidade, desastre”. Quisesse dizer “praga”, no sentido que assumiu em português, teria escolhido “calamitas” (pág. 873 do Dicionário Português Latino, do mesmo Francisco Torrinha). Como empregou “plaga”, quis dizer mesmo “chaga, ferida”. A exemplo das de Cristo, retrato de sua aflição — a mesma que ele vê nos católicos. “Praga”, como a que chegou até nós, é a de gafanhotos. O papa falou de outra coisa. "Ah, e os tradutores do Vaticano?" Que se danem. Nem eles podem mudar essa escrita."
Mas esse post não é para atacar o Reinaldão. Até porque gosto de seu trabalho. Trouxe à baila o assunto pois estava pensando com os meus botões e fiquei imaginando a confusão que irá ser provocada no apostolado de Bento XVI se suas recomendações forem mesmo postas em prática. Afinal o alemão mandou que os padres se preparassem para celebrar suas missas novamente em latim. Imaginem só, se os tradutores do Vaticano confudem "praga" com "chaga" o que não podem confundir mais?

Terça-feira, Março 20, 2007

Lula, o brincalhão

Vou fazer aqui o que é imperdoável no jornalismo: requentar a notícia. Mas como estou escrevendo pouco por aqui e o assunto merece um comentário, lá vai. Na última quinta-feira, 15, o presidente Lula, durante lançamento do Plano de Desenvolvimento da Educação, deu uma declaração um tanto quanto peculiar. Disse ele que não vai incluir os ministérios da Saúde e o da Educação na farra de distribuição de cargos, também chamada montagem do ministério:
"Com Saúde e Educação a gente não brinca: na Saúde, se brincar, é morte: na Educação, se você brincar, é analfabeto".
O presidente contextualizou o que todo mundo sabe. Mas o melhor está nas entrelinhas. Na Saúde e na Educação não se brinca, mas no resto pode. E o presidente não falou brincando, o negócio é sério mesmo. Vejamos:

- Previdência: Lula deu o ministério para o PDT, que luta no Congresso contra as regras que o próprio ministério tenta aprovar para acabar com as fraudes por auxílio-doença;

- Infra-estrutura: Lula tirou do ministério dos Transportes o setor de Portos para agradar ao PSB; e o PR, que ganhou a pasta dos Transportes, esperneia dizendo _ com razão que o setor de portos é indissociável do restante da malha de transportes do país. Ou seja, os dois partidos vão brigar o tempo todo, enquanto o povo fica a ver navios.

- Integração Nacional: Geddel Vieira Lima de ministro, isso é que é brincadeira;

- Agricultura: Nessa ele foi 100% brincalhão, um usineiro que usava a documentção dos funcionários para transformá-los em laranja (afinal, estamos na área rural) e pegar dinheiro de bancos do governo.

Que Saúde e Educação não é brincadeira todo mundo sabe. Acho que quem ainda não sabia era o presidente Lula. Falta agora ele descobrir que os outros ministérios também não são para brincar (leia-se também barganhar).

Quinta-feira, Março 15, 2007

O "collorido" agora é verde

Fernando Collor de Mello fez seu primeiro, e tão aguardado, discurso no Senado Federal pós 14 anos de ostracismo político, conseqüência do processo de impeachment movido contra ele em 1992. Com 99 páginas, no discurso, Collor usou a maior parte do tempo para lembrar o processo de cassação que o tirou do poder. Ele falou sobre os casos de corrupção supostamente ocorridos em seu governo, como também das razões que o derrubaram. Segundo ele, um caso de alucinação coletiva do país, o impeachment teria sido "uma grande farsa". Comparou ainda seu sofrimento aos dos imperadores Pedro I e Pedro II, como também ao dos presidentes Vargas, Quadros e Gourlart.

Não vou comentar aqui detalhes do discurso. Isso os nobres leitores, a essa altura do campenato, já devem ter feito por outros campos. Agora com cabelos negros, como as asas da graúna, Collor continua com aquele ar de pomposidade que é sua marca registrada. Mas o senador parece já ter sacado que esse tipo de atitude, pelo menos para ele, não vai funcionar. Antes caçador de marajás, agora ele é um defensor da ecologia. O presidente "collorido" agora transformou-se em senador verde. É uma das metas do seu senatório trazer ao Brasil o ex-vice-presidente norte-americano Al Gore, com quem tem boas relações desde o tempo de governo. Voando alto com Collor é bem capaz de ainda voltar à Presidência, dada a aminésia política nacional. Mas dessa vez não será visto de bicicleta ou jetski e sim em um ultraleve do Greenpeace.
Foto: Jornal O Estado de S. Paulo

Quarta-feira, Março 14, 2007

Fundamentalistas e mais uma inutilidade política

Indiferente aos apelos mundiais para redução da ameaça nuclear, esses fundamentalistas continuam investindo em armas dinheiro que poderia ser usado para alimentar seu povo; mas, ainda bem que a comunidade internacional e toda a imprensa estão atentas às absurdas pretensões belicistas desses inimigos da democracia e da paz mundial. Ou NÃO?

Quanto a inutilidade política não vou perder meu tempo escrevendo, quero apenas que os leitores amigos visitem este site <www.vailson.com.br> e tirem suas conclusões.

Quarta-feira, Março 07, 2007

Se é mentira declarem guerra, ora bolas!

O Jornal do Brasil de hoje traz manchete exclamatória: "EUA insultam o Brasil" (capa ao lado). Aos mais exaltados calma, eu explico. Dentro do jornal a explicação sob o título sóbrio de "Desaforo americano", . Vejam só, no relatório que o departamento de Estado americano divulga todos os anos, falando do mundo todo, o capítulo destinado ao Brasil comete a afronta de dizer que por aqui a polícia tortura presos e espanca inimigos dos policiais e de agentes penitenciários, são péssimas as condições nos presídios, e os julgamentos demorados afetam o respeito aos direitos humanos.

Mas como? Isso é uma afronta! Minha sugestão: que o Brasil envie tropas para invadir os EUA, e, em seguida o Vaticano, porque, como todos sabem, a Igreja católica também levanta regularmente essas calúnias contra nossa Nação impoluta. Vamos lá, quero ver a Força Nacional de Segunraça detonando os gringos.

O mais divertido nessa lamentável incursão do JB pelo jornalismo marrom é o subtítulo da primeira página: "na véspera da chegada de Bush, relatório acirra os ânimos". Ânimos acirrados? Ora, o ânimo entre os dois governos raramente foi tão amistoso. Será que o reconhecimento americano de que nossa política de segurança é um desastre vai fazer com que declaremos guerra aos americanos como sugeri? Alguém, algum dia, disse que o patriotismo é o último efúgio dos canalhas, neste caso eu concordo.