Quarta-feira, Junho 27, 2007

A pouca-vergonha dos senadores sem votos

O Senado Federal vira de pernas para o ar todos os conceitos morais e institucionais republicanos no cabuloso escândalo protagonizado por seu presidente, Renan Calheiros (PMDB-AL), e promete novas cambalhotas em outro caso de dimensões mais modestas, o de Joaquim Roriz (PMDB-DF).A história do senador adúltero que leva a amante a tiracolo em viagens internacionais bancadas pelo dinheiro do desdentado da favela é tão comum que Juca de Oliveira a transformou na comédia Às Favas com os Escrúpulos, em cartaz em São Paulo. A peça é estrelada por Bibi Ferreira e o principal papel masculino, do próprio autor, poderia ter sido entregue ao pai dela, Procópio, contemporâneo de casos semelhantes ao do fictício senador Bernardo, de qualquer época, de qualquer partido e sem vergonha alguma. Chega, porém, a ter tal atualidade que parece ter sido a realidade que imitou a ficção, e não o contrário.

Mas nem a habilidade conquistada ao longo da experiência de repetidos sucessos cênicos inspirados na desavergonhada miséria ética nacional levou o dramaturgo a imaginar uma situação em que, apanhado em flagrante delito, o ilustre réu escolhe o juiz, nomeia o promotor e indica cada um dos jurados. Desde o babilônio Hamurabi não há notícia de julgamento tão esdrúxulo. Pelos serviços prestados ao governo, o presidente do Congresso conta com a cumplicidade do Poder Executivo, tendo em Romero Jucá (PMDB-RR) e Ideli Salvatti (PT-SC), cuja mão foi flagrado beijando, defensores de um denodo capaz de ofuscar os momentos de mais justa indignação cívica de Sobral Pinto e Evaristo de Morais, com o perdão do mau uso da memória deles nestas linhas.

O corregedor Romeu Tuma (DEM-SP) preferiu inocentar o colega a honrar o currículo de xerife de competência reconhecida a ponto de se transformar em razão do voto de milhões de paulistas. Sua má vontade em investigar foi desmascarada na primeira esquina por um telejornal, cujos profissionais se limitaram a conferir as notas fiscais com as quais o réu tentou se explicar, mas só se complicou. A presidência do conselho de sentença foi entregue a um ilustre aliado do réu, Sibá Machado (PT-AC), cujo senso de justiça pode ser medido pelo projeto que patrocina pretendendo a substituição do exame vestibular pelo sorteio das vagas em universidades, por ter o próprio pimpolho sido reprovado. O primeiro relator, Epitácio Cafeteira (PTB-MA), foi trazido do ostracismo em que se encontrava para se deixar encandear pelo brilho fátuo dos holofotes do noticiário. E sucumbiu, em seguida, ao contraste entre o peso da responsabilidade da absolvição do companheiro e o clamor das ruas. O caso do ressurrecto que voltou à paz do esquecimento com atestado médico não tem registro histórico ou mitológico. Não consta da Bíblia, nem de Homero ou mesmo de As Mil e Uma Noites.

Mas os aliados de Renan no Senado surgem de todos os lados e são de todos os partidos. Comove o constrangimento com que os líderes da dita oposição, puxados pelo paletó pela indignação nacional, evitaram o arquivamento in limine do relatório que nada relatava. José Agripino Maia (DEM-RN) e Arthur Virgílio (PSDB-AM), que correram para o abraço no que a corporação achou que poderia ter sido um gol presidencial, a fala do trono ante a mulher traída, agora tentam salvar a face. Mas, como o desafeto de José Américo de Almeida, choram pelo olho de vidro: seus adversários bem sabem que o que não pôde ser arquivado deve ser esquecido e o não faltam possibilidades de delongas numa Casa onde poucos não contam com a hipótese de o tempo ser, não o senhor da razão, como queriam os romanos, mas um escravo da malandragem cínica.

Epitácio Cafeteira atribuiu à própria esposa o ridículo papel a que se prestou. Mas, na verdade, ele sabe que é morador da sesmaria dos Sarney e ao melhor amigo de Renan deve seu mandato, mais que ao difuso e desconhecido eleitorado maranhense. Seu substituto, Wellington Salgado, o brevíssimo, tal como Sibá Machado, nem satisfação deve a cidadão nenhum, pelo simples e ineludível fato de que nenhum dos dois tem eleitor algum. A impunidade de Renan Calheiros pode ser garantida por vários fatores intrínsecos ao sistema representativo da democracia brasileira, que vão desde o fato de ele ser um craque na arte de 'fazer amigos e influenciar pessoas' até o corporativismo, que, se é grande na Câmara, maior ainda é no Senado. Recentemente este jornal exumou evidências deste truísmo. Apesar dos pesares, a Câmara já teve de expelir alguns peixes gordos de seu aquário, entre estes José Dirceu e Roberto Jefferson. Os senadores são mais 'leais' aos colegas e, quando levam um a deixar o convívio, caso de ACM, logo o recebem de volta, festejando a sábia máxima brasileira segundo a qual o povo sempre esquece e o eleitor sempre perdoa. Aleluia, irmãos!

O caso é que essa engrenagem só consegue funcionar porque é azeitada pela falta de compromisso dos sem-votos. Compara-se muito o velho Senado de Machado de Assis com este. E a diferença fundamental é que a Casa já foi, como queriam os fundadores da instituição, cidadãos romanos, o lugar do debate entre os mais sábios e probos. A regra eleitoral que determina a escolha dos senadores hoje permite que Sibá Machado e Wellington Salgado se iniciem por lá. Um é suplente de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente. O outro, de Hélio Costa, ministro das Comunicações. Nenhum dos dois tem compromisso com eleitor nenhum, com nenhum conceito, com nada. É gente assim que assegura a permanência da impunidade.

Os escândalos Renan Calheiros e Joaquim Roriz deslustram o Senado. Mas o envergonham ainda mais seus suplentes sem votos. E só o voto popular pode acabar com essa pouca-vergonha.

Foto: Alan Marques/Folha

Segunda-feira, Junho 25, 2007

Senadores sem votos - hora de acabar


Atualizado às 22:02h de 26 de Junho. Motivo: Sibá Machado, senador sem voto e sem vergonha, presidente do Conselho de Ética, renunciou ao cargo em mais uma tentativa de empurrar o caso para o esquecimento. No que depender de mim isso não acontecerá. Quero Renan fora da cadeira de presidente do Senado. Pelo decoro, senadores!

A chanchada em que se transformou o processo contra Renan Calheiros no Conselho de Ética do Senado fez com que um de seus principais atores e um coadjuvante saíssem da obscuridade política. Os dois fazem praticamente os mesmo papéis e tem a mesma origem. Já explico. O primeiro é o presidente do Conselho, Sibá Machado (PT-AC). O segundo, Wellington Salgado (PMDB-MG), foi nomeado relator do processo no lugar de Epitácio Cafeteira (que deixou o elenco alegando problemas de saúde - acreditem!)


Eis o que eu queria dizer: Sibá e Wellington não conquistaram um voto sequer. Nenhum! São suplentes de senadores. Suplentes dos ministros Marina Silva e Hélio Costa, respectivamente. Exercem mandatos na atual sessão legislativa como substitutos dos titulares eleitos no pleito majoritário de 2002, mas que migraram para o Executivo.



Mas os exemplos não páram por aí. Ainda existem outros seis senadores beneficiados pelo chamado "voto cego". Explico: quando votamos em um senador X automaticamente este votos migram para seus dois suplentes. Mas você pode alegar que não sabia disso. Então faça o seguinte, leitor amigo, pegue aquele santinho guardado no fundo da gaveta. Observe, nele deve existem, em letras bem pequenas, os nomes dos tais suplentes.



Qual seria então os critérios para a nomeação dos suplentes? Geralmente são eles os financiadores das campanhas dos respectivos titulares. Há casos, pasmes!, que candidatos que firmam acordos com seus suplentes endinheirados para divisão do tempo de mandato.

Não bastasse isso senadores sem votos são elevados a posições estratégicas no Conselho de Ética, um colegiado que deveria ser formado por senadores diretamente referendados nas urnas. E que tivessem "idoneidade moral e reputação ilibada" - um dos requisitos exigidos pela Constituição para os ministros do Tribunal de Contas da União, instituição que exerce, em nome do Congresso, a fiscalização contábil, financeira e orçamentária da União.



É chegada a hora de uma reforma política que tenha um mínimo de seriedade e que não deixe de enfrentar a questão dos candidatos às suplências dos senadores. Não faz sentido que este mecanismo continue existindo.

Quinta-feira, Junho 21, 2007

Aparelhando o Estado

Em meio a esse turbilhão de denúncias recaídas sobre o presidente do Senado, Renan Calheiros - que não renuncia -, o governo acabou editando uma Medida Provisória um tanto quanto inusitada. Trata-se do aumento salarial concedido aos funcionários com cargos de confiança do governo federal. De quando o aumento? "Apenas"de 139%. Não bastasse isso, de quebra, criou mais 626 cargos comissionados. Boa notícia para os beneficiados, má para nós, na qualidade de contribuintes. É aquela velha história de Estado gastador, do Estado inchado que não pára de crescer.

VEJA traz essa semana reportagem de capa sobre concursos públicos. Parecem que estavam advinhando. Como essas duas medidas o governo boicotam milhares de brasileiros que se desbruçam em cima de livros na esperança de um dia chegar ao famigerado serviço público. Em detrimento da capacidade técnica o governo federal opta pelo QI (quem indica) para contratar seus novos funcionários. Os postos criados, de livre nomeração, tem salários de R$ 1.900,00 a R$ 10.400,00. Portanto, boa notícia para os partidos da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O descalabro com o erário beneficia cerca de 22 mil pessoas. Muito? Sim! Exageradamente! Países sérios como os Estados Unidos tem apenas 9 mil. Com uma grande diferença: a Casa Branca tem que cumprir pré-requisitos, incluindo a exigência de conhecimentos específicos sobre a área de lotação, e a lista de nomeados é divulgada com periodicidade determinada em lei. No Brasil, o poço sem fundo se vale do casamento entre a fome imensurável dos políticos e a interminável tentativa de cooptação de aliados pelo Executivo.

A medida poir si só já é um disparate. Lembro que o governo edita-a por meio de Medida Provisória, que, segundo a Constituição, só deveria ser utilizada em casos de relevância e urgência.

E isso não apenas se retringe ao âmbito federal. Estados e municípios também se utilizam da nomeação de cargos para poderem aparelhar, e bem, a máquina pública. Aqui ou em qualquer outro país, enquanto a lei permitir, essa praga se alastrará, corroendo os impostos suados recolhidos pelo cidadão. Há uma esperança? Remota, mas há. Se nossos legisladores botassem a mão na consciência e modificasse a lei. Mas isso soa mas como piada do que qualquer outra coisa.

Quarta-feira, Junho 20, 2007

Se Renan não cai, a Casa cai!

Que certezas temos depois das últimas revelações e acontecimentos do caso Renan Calheiros? Muitas. Depois do espetáculo vexaminoso promovido pelos asseclas do presidente do Senado no Conselho de Ética fica evidente que este já não tem mais como absolvê-lo, dando por findos hoje mesmo os trâmites do simulacro de processo aberto contra ele, a contragosto, por quebra de decoro parlamentar.

Ademais, Renan já perdeu, há tempos, a condição moral de exercer uma função tão importante como a presidência do Senado. Mas o que o sustenta na função? Ora, sua habilidade política. Habilidade essa que faz com que a maioria dos senadores estejam abertamente do seu lado, apesar de tudo.

Há um grande risco na permanência de Renan no comando da Casa, que é o de desmoralizar, ainda mais, a imagem do Congresso Nacional perante a opinião pública. Ou vão me dizer que ninguém lembra dos mensaleiros e replicado no escândalo dos sanguessugas igualmente impunes. Até aqueles aliados de Calheiros, que podem ser o que se queira menos surdos à voz das ruas, perceberam que o clima de desgosto provocado pela revelação de que o lobista de uma empreiteira pagava em dinheiro vivo os compromissos do senador com a sua ex-amante se metamorfoseou em repulsa generalizada à operação-abafa posta em marcha sob o seu comando pessoal para inocentá-lo a qualquer preço.

O senador tentou reduzir o caso a questão de alçada íntima, o que é desde sempre uma séria suspeita de promiscuidade, entre o presidente do Congresso e Cláudio Gontijo, o agente de uma empresa de construção pesada que, precisamente por isso, vive de fazer negócios com o poder público. A sociedade viu também, na mesma ocasião, a fragilidade das evidências que ele exibiu para assegurar que pagara do próprio bolso, embora por interposta pessoa, os valores destinados à mãe da filha cuja paternidade havia assumido.

A tentativa de impingir a fábula de que ele era vítima de uma tentativa de chantagem saiu pela culatra. Ao mesmo tempo, divulgou-se que a própria perícia ligeira da Polícia Federal nos papéis que atestariam a lisura dos negócios pecuários do senador apurou que as datas das transações não batiam com as dos créditos nas suas contas bancárias. Afundando-o cada vez mais, a imprensa descobriu significativas omissões nas suas declarações de Imposto de Renda, significativos lucros declarados com criação de gado, acima da média nacional, e significativos saltos patrimoniais - a compra de três fazendas e a formação de um rebanho de mais de mil cabeças em meros dois anos. Verdade seja dita, tudo leva a crer que, se de fato provinham de Calheiros os valores dos quais o seu amigo lobista seria mero repassador, se tratava de “recursos não contabilizados”.

Por tudo isso, acho que a melhor saída para Renan e para a Casa seria sua renúncia. Não ao mandato, sei que isso seria impossível, mas a cadeira da presidência do Senado. Em tese Renan até teria mais tempo para preparar sua defesa. Defender-se de uma vez e em uma única vez. Ninguém agüenta mais ele passar a semana explicando e no fim de semana os veículos de comunicação trazerem uma nova informação sobre o caso. Isso é o que penso!

Terça-feira, Junho 12, 2007

Uma imoralidade do Imorales da Bolívia - Atualizado [3]

Atualizado [3] às 19:52 de 19 de Junho. Motivo: dou o devido crédito pela descoberta da marmelada boliviana a Antônio Tabet, do Kibeloco. Foi ele que no dia 07 de Junho (cinco dias antes deste blog) publicou as fotos. Como ainda estou em busca de mais informações sobre o caso acabei vendo isto. O site do Terra, de onde retirei as imagens, não informava nada sobre o Kibeloco. Tabet levantou a bola e eu continuo a sustentá-la. Peço aos amigos leitores que tiverem mais informações que as postem neste blog com as devidas referências.

Atualizado [2] às 17:10 de 18 de Junho. Motivo: comentário de um leitor, que não se identificou, segue em vermelho sem qualquer alteração: Eu conheço o Major da foto, trata-se do Maj de Intendência Colins (Esse é o nome de guerra dele), ele está servindo no 9º RCB(Regimento de Cavalaria Blindado) em São Gabriel - RS. Ele está completamente indignado com a situação e não sabe o que fazer pq sendo militar, não sabemos se podemos processar outro exército ou outro governo, mas a foto ja foi tirado do ar. Insisto no post. Achei e acho um absurdo o que o governo boliviano fez. Mantive alguns contatos sobre o assunto. Espero que o caso tenha a repercussão que merece. Isso não pode ficar o dito pelo não dito.

Atualizado [1] às 17:30 de 13 de Junho. Motivo: cometi um erro imperdoável na denúncia jornalistica, não citei fontes. Quem me fez o alerta foi a leitora Shirlei Horta, do blog Matar a Dor. Antes disso, adianto que o Ejercito de Bolivia já retirou a imagem do seu site oficial (clique aqui e veja que a imagem foi alterada mas o texto não). Vamos a fonte. O jornal O Dia noticiou dia 09 passado que o governo brasileiro estaria investigando o caso. Fui em busca das imagens. Encontrei as imagens que reproduzo abaixo no site do Terra. A imagem foi capa da edição nº 152 da revista Verde Oliva do Exército brasileiro. Peço desculpas aos leitores pela falha. Espero ter consertado.




Prestem bem atenção na imagem acima. É sem dúvidas comovedora. Um militar boliviano consolando uma criança. Reparem ainda na bandeira no braço esquerdo do militar. Reparem no texto. Trata-se de uma imagem reproduzida pelo site do Ejercito de Bolivia cujo fim seria anunciar as ações do exército nas missões de paz promovidas pela ONU.


Pois bem. Sempre que escrevo aqui críticas as atitudes do Maluco de Caracas ou do Imorales da Bolívia sou injustamente insultado, seja por e-mail ou por comentários neste blog (que quase nunca os publico). Dizem que sou de direita. Dizem que sou tucano. Dizem que vou contra aos interesses das massas. Acontece que a imagem acima representa bem o real sentido da governança de países como a Bolívia. Acredite, leitor amigo, que a fotografia foi montada. O militar da ilustração não tem nada de boliviano. Ele é o Major de Intendência Mauro (não consegui descobrir o sobrenome), BRASILEIRO, que servia como 1º Tenente (na época) em uma Missão de Paz do Exército Brasileiro em Angola por volta de 1996.

Duvidam? Acham que esta é mais uma tentativa golpista para desqualificar um governo voltado aos interesses sulamericanos? Então vejam a imagem abaixo. Ela é a imagem original, real, inclusive em preto e branco:




É ou não é uma imoralidade?

Sábado, Junho 09, 2007

"Renan está dizendo agora que o dinheiro era dele"

VEJA desta semana entrevistou a jornalista Mônica Veloso, que ficou nacionalmente conhecida não por seu trabalho mas por ser mãe de um filho (extra conjugal) do senador Renan Calheiros. Sem dúvidas, a entrevista deve ter grandes repercutir durante toda a semana. Quem ler atentamente vai perceber que as informações dadas por Renan a seus pares não batem com as da "gestante" (como Renan referiu-se a Mônica em seu pronunciamente na cadeira da presidência do Senado).

Separei alguns trrechos que achei importantes da entrevista feita pelo excelente Policarpo Jr. Segue:

A senhora recebia dinheiro das mãos do lobista Cláudio Gontijo?
Sim, recebi durante quase dois anos.


Quando foi a primeira vez?
Foi entre fevereiro e março de 2004.


Os pagamentos seguiram até quando?
Até novembro de 2005.


O dinheiro pertencia a quem?
Não sei. Renan está dizendo agora que o dinheiro era dele, mas ele nunca me disse isso antes.

A senhora perguntou?
Não, eu recebia uma pensão e não fazia sentido perguntar de onde vinha o dinheiro. Isso parece importante agora por causa desse turbilhão, mas para mim não era. Eu pegava o dinheiro com o Cláudio e ponto. Não ia ficar questionando.


A senhora falava de dinheiro com o senador?
Nunca falávamos de dinheiro. Assunto de dinheiro era sempre com o Cláudio.


Onde a senhora pegava o dinheiro?
Na maioria das vezes, era no escritório da Mendes Júnior. Mas houve várias formas. Nos últimos meses da gravidez (a criança nasceu em julho de 2004) e no período do resguardo, o Cláudio me entregava os envelopes com dinheiro na minha casa, na minha produtora... Mas, depois disso, eu ia buscar o dinheiro na Mendes Júnior e o depositava na minha conta. Não tenho o costume de guardar dinheiro debaixo do colchão.


A senhora pegava o dinheiro na portaria do edifício da Mendes Júnior ou entrava no escritório?
Eu chegava ao prédio e me identificava na portaria. Eles anotam nome, identidade, hora e a sala aonde você vai. Se eles guardaram esses registros, é só conferir que minhas entradas estarão todas lá. Eu pegava o elevador até o 11º andar. Lá, me anunciava no interfone e a secretária abria a porta do escritório.


Como era repassado o dinheiro?
Cláudio me recebia na sala dele e me entregava o envelope. Alguns envelopes tinham o logotipo da Mendes Júnior.


(...)

A senhora disse que começou a receber dinheiro das mãos de Cláudio Gontijo entre fevereiro e março de 2004. Qual foi esse primeiro pagamento?
Eu estava deixando o apartamento onde morava e alugando uma casa no Lago Norte. Ficou combinado que o aluguel de um ano seria pago adiantado. O Cláudio foi ao edifício onde eu ainda morava e me deu um envelope com o dinheiro.


Quanto?
Salvo engano, 40 000 reais. Fui à imobiliária e paguei o ano inteiro do aluguel.


Que outros valores o lobista lhe repassava?
Na mesma data em que me mudei para a casa do Lago Norte, acertamos que as despesas decorrentes da mudança seriam de 8 000 reais por mês.


Com quem a senhora fez esse acerto?
Com o Cláudio e o Renan. Depois disso, o Renan nunca mais tocou em assunto de dinheiro. Quero deixar claro que a pensão não foi estabelecida para me sustentar. Sempre tive uma boa condição financeira. Tenho minha empresa de comunicação, tinha contrato com órgãos importantes do governo. Os 8 000 reais foram acertados para me adaptar às novas circunstâncias de uma gravidez que devia ser mantida com discrição. Eu morava num apartamento que me pertence até hoje e fui morar numa casa alugada para fazer essa adaptação.


A senhora sempre recebeu 8 000 reais?
Nem sempre. Houve um período em que o Cláudio pagou 2 800 reais de despesas com uma empresa de segurança. Essa despesa apareceu logo depois do parto da minha filha. Eu estava recebendo telefonemas com ameaças anônimas. Fiquei com medo, procurei o Renan e ele me orientou a tratar com o Cláudio. Eu fiz um levantamento das empresas e o Cláudio ficou com a parte financeira.


Posto isso vamos chocar algumas informações. Mônica diz que recebeu dinheiro de março de 2004 a novembro de 2005. Diz que começou com 40 000 reais para pagar um ano de aluguel antecipadamente. Além disso, ela afirma ter recebido uma pensão mensal de 8 000 reais e, de agosto de 2004 a março de 2005, mais 2 800 reais para pagar a empresa de segurança. De março de 2005 em diante, quando trocou a casa pelo apartamento, além da pensão de 8 000, foram incorporados 4 000 reais para o aluguel, num total de 12 000 reais. Renan diz que essas despesas foram pagas por ele. Até aqui tudo bem. Mas a confusão começa quando são analisados os saques, de acordo com os extratos bancários fornecidos por Renan ao Senado, porque as datas nunca batem. Vejam bem, não estou dizendo que Renan não tinha os recursos mas que os saques mostrados nos extratos são sempre em datas e valores diferentes da dos fatos.

Algumas verdades precisam vir à tona. Me preocupa uma certa má vontade (para nós brasileiros, boa para Renan) em desvandar esse mistério. Os senadores parecem decididos a encerram o assunto de uma vez, mas precisa produzir ao menos um simulacro de legalidade. O problema é que Renan tem todos a seu favor, inclusive o o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA), relator do caso e aliado de Renan Calheiros. Cafeteira, que deve entender mesmo é de café, já adiantou que não convocará Mônica Veloso para depor. Segundo ele o Senado não é lugar para fofocas. Acho que ninguém está interessado em fofocas e sim na verdade. Mas nesse caso a verdade, para os senhores senadores, está apenas com Renan.

Se você, leitor, assina VEJA clique aqui e leia a íntegra.

Terça-feira, Junho 05, 2007

50 na Navalha do MPF - incluindo Jackson Lago

O Ministério Público Federal apresentará ainda esta semana denúncia por formação de quadrilha, corrupção ativa e corrupção passiva contra os suspeitos de integrar o esquema de fraudes em licitações públicas deflagrado com a Operação Navalha da Polícia Federal.

A bomba da denúncia do MPF é que além das 49 pessoas presas na Operação mais uma, o governador do Maranhão, Jackson Lago, também será indiciado.

Além de Jackson Lago, serão indiciados Zuleido Veras e toda a diretoria da Gautama - incluindo Maria de Fátima Palmeira, apontada como a responsável por levar propina ao Ministério das Minas e Energia - deverá ser alvo do pedido de abertura de ação penal. Por falar em Ministério... por enquanto o ex-ministro Silas Rondeau, afastado do cargo por causa do escândalo, pode comemorar. Seu envolvimento ainda está sendo analisado e não está definido se ele entrará no pacote dos denunciados.

Segunda-feira, Junho 04, 2007

Os esquivos de Lula na BBC

O presidente Lula mais uma vez usou aquela tática que somente ele e grande boxeadores sabem fazem muito bem: o esquivo. Em entrevista a um programa da BBC Lula esquivou-se de tomar partido contra ou a favor do presidente da Venezuela, O Maluco de Caracas, também conhecido por Hugo Chávez.

Apesar de considerá-lo como "companheiro" Lula optou, mais uma vez, não atacar nem defender o Maluco de Caracas quando o tema foi o fechamento da mais antiga emissora de televisão venezuela, a RCTV. Lula sempre tenta evitar criticas quando o assuntos são as maluquices do Venezuela. Ele sempre sai com aquele mesmo falatório dizendo tem-se que respeitar decisões soberanas de cada país. Que nós devemos aprender a respeitar a lógica legal de cada país. Já escrevi sobre isso aqui no blog, clique aqui para ler.

Esquivando-se mais uma vez Lula não quis falar sobre as constantes divergências diplomáticas existentes entre Venezuela e Estados Unidos. Segundo ele, o Brasil não tem motivos para "brigar" com nenhum dos dois. Disse ainda que a redução do anti-americanismo na América Latina depende da política de Washington para a região, que para o presidente não deve repetir o passado.

Lula como chefe da nossa Nação deveria, no meu entender, repudir qualquer atitude anti-democrática que existe, independente do lugar do mundo. A imagem maculada da América Latina no cenário internacional deve-se ao fato de dois ou três malucos tentarem implantar um sistema que já nasceu fálido. Quem pensa que as bobagens de Chávez não respinga aqui no Brasil está redondamente enganado.

Sexta-feira, Junho 01, 2007

Um ano juntos: com ele e com ela

Calma, leitor amigo. Não se trata de um triângulo amoroso.


Com ele...

O dia 1º de junho de 2006 foi, sem dúvidas, um dia especial para mim. Às 11: 49h desse dia dei início a uma nova fase na minha trajetória de blogueiro. Depois de experimentar com outros dois domínios (Último Tempo e Pensar Político) resolvi criar um outro espaço, desta vez com a minha cara, e o meu nome. Nascia o Blog do Patrick. Durante esses 365 dias ganhei amigos, inimigos, felicidades, dores de cabeça (muitas)..., ganhei o
que considero o principal: a liberdade de expressar livremente minha opinião para que, ainda que poucos, leitores pudessem saber. E esse “trabalho” de blogueiro me rendeu frutos. Hoje escrevo para o site do jornalista Mhário Lincoln, para a revista Oba! E para o Cajá Folha (os dois últimos de minha cidade). O blog ainda recebeu mais de 12.000 visitas. Fui ainda citado no caderno de informática da Folha. Fui indicado pelo Noblat. Fui citado pelo jornal O Povo, de Fortaleza e por outros tantos blogs amigos, enfim... São esses meus frutos, que tanto me orgulham. Confesso, no entanto, que não esperava tanto. Mas sou do tipo que quer sempre mais.
O reconhecimento dos que aqui comentam ou dos que me enviam e-mail’s me dá cada vez mais força de continuar. Agradeço especialmente a você, bravo leitor, que esteve e com certeza vai estar comigo em mais esse outro ano que está por vir. Este é apenas só o começo de uma longa, longa, longa trajetória. Muito Obrigado.

Com ela...



Ah, ela! São essas coisas que me faz crer tanto em Deus. De crer que Ele saber certinho a hora de nos presentear com algo. Foi também no dia 1º de junho de 2006, depois de tanto esperar, que por volta das 20:00h aconteceu o que tanto esperei... encontrei a mulher da minha vida, a mulher que eu amo e com quem quero viver eternamente, sem dúvida!

Ela que me faz feliz.
Que me faz bem.
Que me faz sonhar.

Que me dá força,
Quando estou fraco.
Que me dá alegria,
Quando estou triste.
Que me dá certeza,
Quando estou em dúvida.
Que me dá paz,
Sempre!

Poucos descobrem o sentido de amar. Graças a Deus eu sou um desses. E, agora, leitor amigo, peço sua licença. Quero pela primeira vez, em todo esse ano, abandoná-lo. Quero falar apenas com ela:

Thayane, te amo pra sempre!